Jaú - Anderson Sisneiros da Silva, 34 anos, foi preso ontem por policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru) acusado de praticar golpes eletrônicos.
Ele é suspeito de participar de uma quadrilha especializada em desviar dinheiro de contas bancárias por meio da internet. Com Silva, os policiais encontraram R$ 12,5 mil em dinheiro.
Segundo o delegado Edmilson Marcos Bataier, da DIG, parte da quadrilha teria sido presa ontem à tarde em São Paulo por policiais do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic).
Parte desses policiais deve vir a Jaú para ouvir o acusado. Silva estava na casa de uma suposta namorada, na vila Netinho. Além do dinheiro, foi apreendido também o Fiat Stilo, placas DLT 0030, de São Paulo, que estava com o acusado.
Segundo Bataier, Silva teria admitido participação nos golpes e disse que veio para Jaú em busca de proteção, já que a quadrilha estava sendo descoberta pela polícia em São Paulo.
A tática do grupo consistia, de início, em conseguir suposta colaboração de funcionários dos provedores de acesso à internet. Seriam eles a fonte de trasmissão de milhares de endereços de e-mails.
Com a ajuda de programadores, o grupo faz clonagens das páginas oficiais dos maiores bancos brasileiros. Em meia hora, eles conseguem montar cópias perfeitas dos sites e as usam para enviar uma mensagem aos titulares dos e-mails.
A isca para o golpe é um aviso de que o destinatário ganhou um prêmio. Quando ele digita o número da conta e a senha na página falsa, um programa de computador armazena a informação e está pronto o golpe.
Os alvos preferidos do grupo são as contas com saldo superior a R$ 5 mil. Com o número da conta e a senha, é feita a transferência de uma parte do dinheiro para contas de correntistas fictícios espalhadas pelos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Em seguida, o dinheiro é retirado das contas e acabam nas mãos dos chefes das quadrilhas. Estima-se que, por dia, são feitas cerca de 200 a 300 transferências.
Geralmente, o crime é praticado por jovens e chega a movimentar cerca de R$ 1 milhão por semana.
Segundo o delegado da DIG, as informações para a prisão de Silva foram passadas pelo Deic, que deverá levar o acusado para São Paulo, onde deverá ser indiciado por estelionato e formação de quadrilha.
De acordo com o Código Penal, estelionato é crime punido com reclusão de um a cinco anos. No caso da formação de quadrilha a pena varia de um a três anos de prisão.
Fraude comum
Em fevereiro, o Jornal da Cidade publicou matéria informando que os golpes eletrônicos haviam aumentado 275% nos últimos dois anos. Os dados são do Comitê Gestor de Internet, órgão do governo federal.
Segundo o professor de informática e coordenador do curso de sistema de informação da Universidade do Sagrado Coração (USC), Ronaldo Martins da Costa, que foi ouvido pela reportagem na época, as fraudes mais comuns são exatamente as que usam nomes de bancos para conseguir o número da conta e a senha dos correntistas.