09 de julho de 2026
Geral

30% das mulheres com aids optam pela abstinência sexual

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Há quatro anos, quando perdeu a filha de apenas 3 meses, Ana Júlia (nome fictício), 21 anos, moradora de Bauru, descobriu que tinha sido infectada pelo vírus da aids. Desde então, optou pela abstinência sexual, decisão adotada por 28,8% das 73 mulheres portadoras do HIV que participaram de uma pesquisa realizada pelas universidades Federal do Ceará e Estadual Paulista, num hospital universitário da região centro-sul do Estado de São Paulo e divulgada pela Agência Notisa.

O “não” às relações sexuais é apontado por elas como um meio absolutamente seguro para se evitar a concepção, a transmissão do HIV e a reinfecção pelo vírus. “Tive medo de ter outro filho e perder de novo. Agora não posso tê-los porque entrei na menopausa por causa dos coquetéis. Também não tenho mais vontade (de sexo). A médica disse que pode ser um período passageiro”, conta Ana Júlia.

Ela diz ter contraído a doença do pai da filha, que era usuário de drogas e atualmente está preso. Quando tiveram o bebê não sabiam que eram portadores da doença, informação que a sogra dela guardava sob sigilo. Só quando ela morreu, é que o casal soube que estava contaminado pelo vírus da aids.

De acordo com o estudo, 35% das entrevistadas disseram que seus companheiros mostravam resistência em fazer um exame para detectar uma possível contaminação por HIV. E mais: elas não usavam método contraceptivo que também prevenisse a contaminação.

Em Bauru, a maior incidência da doença é entre heterossexuais e heterossexuais usuários de drogas injetáveis.

Companheiros

Por essa razão, mais de 93% das pacientes pesquisadas afirmaram ter contraído HIV por relações sexuais. Também é o caso de Larissa (nome fictício), 39 anos, outra moradora de Bauru que é viúva há dois anos. Por um década ela ficou ao lado do companheiro, mantendo envolvimento afetivo e sexual normais.

“Eu sou operada. Já tenho uma filha de 23 anos. Por que iria querer outros?”, questiona a mulher, que não usava preservativo quanto fazia sexo com o marido. No entanto, 86% das mulheres pesquisadas pelas universidades utilizam método para evitar a gravidez.

Desse percentual, 49,3% delas adotaram o preservativo masculino e 8,2% utilizaram tanto o masculino quanto o feminino, informa a Agência Notisa. No entanto, respostas que ilustram o uso incorreto dos métodos contraceptivos e das formas de prevenir a contaminação pelo HIV, como “ele tira fora antes” e “às vezes ele usa camisinha”, também foram comuns entre as entrevistadas.

Por essa razão, o trabalho enfatiza a preocupação em discutir de que modo a mulher pode se proteger da transmissão do HIV dentro de seus relacionamentos. Para os pesquisadores, parte delas não usou preservativo em suas relações sexuais por serem majoritariamente pobres, desinformadas e sem poder de barganha.

Os resultados do estudo, publicado na Revista Saúde Pública, alertam para a necessidade de ações educativas que estimulem experiências sexuais mais seguras entre portadoras de aids, para que elas possam discutir com seus parceiros outras formas de exercerem sua sexualidade.