30 de maio de 2026
Regional

'Chumbada ecológica' é uma das invenções recentes

Por Ricardo Santana (do São Carlos News) | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

São Carlos - O enorme parque industrial com multinacionais, empresas de grande porte, empreendimentos médios, incubadoras e instituições de pesquisa revelam uma nova fase do desenvolvimento da cidade.

Grande parte da tecnologia produzida em São Carlos sai dos laboratórios para ser incorporada na vida cotidiana das pessoas.

A aplicação da tecnologia são-carlense está presente nos produtos mais simples a sofisticados componentes eletrônicos fabricados na Opto Eletrônica, localizada no bairro de Santa Felícia.

Isso é fruto de uma tomada de decisão há mais de 50 anos que mudou o perfil da pacata São Carlos com o curso de engenharia da Universidade de São Paulo (USP).

Hoje, a USP é referência com seus inúmeros institutos de pesquisa e a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) veio ampliar os horizontes da pesquisa, produção e aplicação de tecnologia para melhorar as condições de vida das pessoas.

Algumas dessas criações não são percebidas mas estão presentes e muda a realidade de forma silenciosa mas que pode trazer grandes benefícios ao planeta no futuro.

Exemplo claro dessa revolução é a “chumbada ecológica” - tecnologia desenvolvida pelo Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (Liec), integrado por pesquisadores da UFScar e do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Araraquara.

A empresa de São Carlos Tecnicer disponibilizou o produto no mercado. Cerca de 10% de toda a água doce do planeta está no Brasil, porém esse “reservatório” corre sérios riscos e diminui a cada ano.

Especialistas avaliam que os graves problemas ainda são localizados e afirmam que as causas são o desmatamento nas nascentes, nas margens dos rios e a contaminação por diversos poluentes.

É impossível deixar tais suprimentos intactos mas é viável diminuir o impacto. Na fabricação da “chumbada ecológica” são empregados materiais como argila, areia e pó de pedra, os quais são biocompatíveis com o fundo dos rios e lagos, em substituição às tradicionais de chumbo, que contaminam a água e os peixes.

Na composição química das chumbadas cerâmicas entram 30% de alumina, 45% de sílica, 15% de ferro e 10% de cálcio. A empresa fornece o novo material para pesca por quilo ou em cartelas com 150 a 200 gramas, com folder institu-cional. Os técnicos da empresa comemoram o fato da aceitação do produto no exterior ser ótima.

Devido à diferença de densidade, as chumbadas cerâmicas precisam ser maiores que as tradicionais de chumbo, o que não impede que sejam usadas da mesma forma, com a vantagem de, por serem maiores, não enroscar nos mesmos lugares que as menores feitas de chumbo.

As chumbadas cerâmicas perdidas no fundo de rios e lagos deterioram-se mais rapidamente, não contaminando a água e o solo.

Como todo metal pesado, o chumbo degrada-se muito lentamente no meio ambiente, persistindo durante décadas no solo e no fundo de rios, lagos e represas.

Não é metabolizado pelos animais e sofre o processo de bioacu-mulação, afetando mais os animais do topo da cadeia alimentar, entre os quais está o homem.

O chumbo é comprova-damente carcino-gênico (causa câncer), teratogênico (causa malfor-mações estruturais no feto, baixo peso e/ou disfunções metabólicas e biológicas) e tóxico para o sistema reprodutivo (causa disfunções sexuais, aborto e infertilidade).

De um modo geral, os compostos de chumbo são nocivos para os animais. O efeito da absorção do elemento nas plantas não parece grave.

No entanto, estas acumulam chumbo, que será absorvido pelos animais em caso de ingestão. Por essa razão não se utilizam compostos de chumbo em pesticidas ou inseticidas.

Os sais solúveis, o cloreto, o nitrato, o acetato etc, são venenos muito ativos. As principais causas de intoxicação são desconforto intestinal, fortes dores abdominais, diarréia, perda de apetite, náuseas, vômitos e cãibras.