08 de julho de 2026
Geral

Continuidade da greve na Unesp já preocupa alunos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Os quase dois meses de paralisação de professores e funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru começam a gerar questionamentos entre os alunos sobre uma eventual perda de semestre. Os mais preocupados são os formandos, que temem pela redução de prazos e por mudanças na data da formatura, além de prejuízos financeiros.

Aluna do último ano do curso de jornalismo, Ana Laura Fiochi, 21 anos, afirma que sua maior preocupação é quanto ao trabalho de conclusão de curso. “Estou adiantando as coisas na medida do possível, mas sem o atendimento da minha (professora) orientadora fica complicado. Eu até tenho feito algum contato com ela, mas só por e-mail e para tirar algumas dúvidas”, comenta.

Outra preocupação citada pelos alunos é quanto aos prazos para entrega destes trabalhos conclusivos. “Nosso último semestre é dedicado ao trabalho de conclusão. Com a greve, eles (professores) vão acabar estendendo as aulas até outubro. Com isso, ou eles encurtam o prazo para entrega do trabalho final ou eles estendem esse prazo”, observa outro formando de jornalismo, que pede para não ser identificado.

“Só que a data da formatura está marcada para fevereiro de 2005. Se a entrega dos trabalhos for adiada, não poderemos nos formar (na data prevista)”, acrescenta.

Ele lembra, ainda, que a maioria das turmas até já assinou contrato para a realização de bailes e festas de formatura. “Tudo isso é agendado e reservado com muita antecedência. E eu não sei se esses contratos permitiriam alteração de datas, por exemplo”, destaca.

Já o estudante de educação artística Robson Cristie de Moura, 26 anos, teme pelos prejuízos financeiros. “Você passa quase um semestre inteiro correndo atrás de estágio, pagando aluguel, comprando material. Perder um semestre seria um enorme prejuízo, principalmente para quem vem de outras cidades”, ressalta.

Prejuízos em aprendizado também incomodam. “Acho muito difícil que os professores reponham todos esses dias. Mesmo porque, a greve começou quando faltava pouco mais de um mês para terminar o semestre. A essa altura, todo mundo já perdeu o fio da meada. Acho muito difícil que haja uma reposição sem perdas de conteúdo”, lamenta Fiochi.

Há quem duvide, inclusive, da reposição. “Isso (greve prolongada) já aconteceu antes. Quando a gente volta, eles resumem tudo em uma ou duas aulas, passam alguns trabalhos e todo mundo finge que está bom assim. Tenho quase certeza que ninguém vai perder o semestre”, prevê outro formando, que também não quer ser identificado.

Para Rodolfo da Silva Tragueta, 23 anos, a greve deve ser vista com ponderação, pois professores e servidores estão brigando por um direito. “A universidade está passando por uma crise e o salário dos funcionários não é dos melhores. eu acho que é um movimento justo e muitos alunos também estão em greve pela precariedade do ensino”, alega.

Na opinião dele, a paralisação chega a ser benéfica para alguns cursos. “Como o meu, que está mesmo precisando de uma restruturação. Somos uma turma de química que não tem laboratório. Em 2002 destinaram cerca de R$ 1,1 milhão para nosso curso. Prometeram um laboratório para 2003 e até hoje não saiu. Meu curso é totalmente experimental e o que fazemos sem um laboratório”, questiona.

De acordo com o diretor da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru, José Brás Barreto de Oliveira, a situação da greve permanece a mesma. A única novidade é que o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) anunciou que vai reabrir as negociações, mas ainda não marcou nenhuma reunião.

Questionado sobre a reposição dos 56 dias de paralisação, Oliveira informa que ainda não há um calendário previsto. “Não há nada equacionado por enquanto. Quando acabar a greve deveremos nos reunir para decidir sobre isso. Mas existe sim a intenção de repor todos os dias de paralisação”, garante.

A reportagem também indagou sobre as datas previstas para as formaturas. “Por enquanto as previsões não foram comprometidas, mas isso pode acontecer se a greve se estender muito mais. Por isso, ela tem que terminar nos próximos dias”, alerta.

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Histórico

A greve de professores e funcionários da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) começou no dia 22 de maio, com a principal reivindicação de reajuste salarial de 16%. Diante de impasses, o Fórum das Seis - entidade que congrega sindicatos de docentes e funcionários das três universidades estaduais - apresentou contraproposta no final de junho reduzindo o pedido para 9,41% de reajuste.

O Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) negou a contraproposta e, desde então, as negociações estão suspensas. No início do mês, o Fórum dos Seis protocolou um ofício solicitando a reabertura das discussões. De acordo com o diretor da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru, José Brás Barreto de Oliveira, o pedido foi aceito, mas ainda não há data marcada.