11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Aposentados cobram valorização do magistério e política salarial

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Valorizar o magistério, fazer cumprir as determinações do Estatuto do Idoso e lutar pela implantação de uma nova política salarial. Estes foram os principais assuntos debatidos ontem, em Bauru, numa reunião promovida pela Associação dos Professores Aposentados no Magistério Público do Estado de São Paulo (Apampesp). O objetivo era mobilizar a categoria para lutar por seus direitos.

“É uma vergonha o que nossos governantes vêm fazendo em relação ao magistério, principalmente conosco, professores aposentados”, afirma a presidente da entidade, Zilda Halben Guerra.

Ela lembra que os aposentados têm perdido muito nos últimos anos com a política de se oferecer gratificações e bônus aos professores ativos no lugar de promover efetivos reajustes salariais.

“Ao invés de aumentar os salários, eles (governantes) anunciam uma gratificação de produtividade. Ora, o aposentado não produz mais e não tem direito à gratificação. Com isso, nossos rendimentos ficam cada vez mais defasados. Mas e a produção dos anos anteriores? A nossa geração passou 30, 35 anos dentro da escola. Isso tudo agora não vale mais nada? Vai tudo para a lata do lixo?”, questiona.

“O Estatuto do Idoso diz que o idoso tem direito à vida, à saúde, à educação, à cultura, ao lazer - tudo muito bonito no papel, mas nós queremos ver isso na prática”, acrescenta.

Guerra ressalta que, mesmo com tantos déficits seguidos nos rendimentos, muitos aposentados ainda se sacrificam para custear planos de saúde e medicamentos. “O dinheiro acaba só com esses compromissos. Imagine se sobra para cultura, lazer”, argumenta.

A presidente da Apampesp salienta que foram eles - os professores aposentados - que ajudaram a construir e formar os cidadãos que hoje ocupam altos postos do governo. E que são os mestres de filhos e netos desta geração de autoridades que formam os cidadãos das futuras sociedades.

“Veja os editais de concursos e compare cargos cuja exigência é o ensino médio. O salário para professores por 40 horas semanais é de R$ 900,00. Outros cargos com a mesma titulação pagam R$ 1,5 mil a R$ 2 mil. Para professores universitários, com curso superior, paga-se R$ 900,00, enquanto outras carreiras pagam R$ 4 mil, R$ 5 mil. Veja a desvalorização do professor”, observa.

Para Guerra, queixas quanto à baixa qualidade do ensino são cada vez mais freqüentes e parte disso deve-se aos baixos salários. Ela comenta que as escolas não oferecem um bom preparo e que os profissionais ganham tão pouco que não têm condições sequer de assinar jornais e revistas, muito menos de freqüentar cursos e atualizações.

“Enquanto não houver uma valorização do magistério ativo e inativo, de modo que o professor possa viver com dignidade, não vamos recuperar isso (qualidade de ensino)”, alega.

A reunião de ontem contou com a participação de aproximadamente 130 aposentados e está sendo realizada em diversos municípios. “Nosso objetivo é conscientizar o aposentado a lutar pela valorização do magistério, a exigir que seja implementado realmente o Estatuto do Idoso, para que os idosos tenham, de fato, direito à vida, à saúde, à educação, ao lazer”, completa.