08 de julho de 2026
Geral

Jovens presenciam violência na noite

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

A balada está animada, a música é boa e as companhias, divertidas. Mas como o lugar está um pouco lotado, o rapaz esbarra em alguém enquanto vai ao bar ou ao banheiro. Este é o começo de uma confusão que pode até terminar com alguém ferido gravemente. No início do mês passado, o caso de um adolescente de 17 anos que foi brutalmente espancado em frente a uma boate na Capital reavivou a discussão sobre a violência na noite.

Apesar da polícias Militar (PM) ou Civil de Bauru não possuírem número significativo de registros sobre agressões em casas noturnas e festas, os jovens que freqüentam a noite bauruense sabem que essa é uma situação muito mais comum do que seus pais ou a polícia pode imaginar. Os motivos? A agitação da balada, o consumo excessivo de álcool e drogas, a sensação de impunidade em meio a um grupo grande de amigos.

No mês passado, Rogério (nome fictício), 24 anos, foi brutalmente agredido na saída de uma casa noturna da avenida Getúlio Vargas, em Bauru. Ele conta que esbarrou sem querer em um rapaz dentro da boate, quando já se dirigia ao caixa para ir embora.

“Ele me olhou feio, mas eu passei reto. Quando saí da casa, essa pessoa me agrediu por trás com três socos. Eu cai no chão, levantei e quando cheguei perto do rapaz, sete amigos dele se aproximaram, me derrubaram e me agrediram com chutes e socos”, relata.

Rogério fraturou o braço direito e teve de implantar uma placa de platina. Além disso, ficou por diversos dias com o rosto inchado e dores pelo corpo. “Em momento algum eu troquei uma palavra com esses caras. Eles foram covardes, me agrediram sem motivo, sem eu fazer idéia de quem eles eram”, revolta-se.

Após o incidente, o rapaz comenta que perdeu a vontade de sair e freqüentar as casas noturnas da cidade. “Com certeza, eu fiquei traumatizado. Se alguém começar a pular na minha frente, eu já vou me afastar. Eu deixei de ir em festas, fico mais em casa, com medo disso acontecer de novo”, diz.

Este é apenas um caso entre muitos presenciados pelos adolescentes e jovens que freqüentam as baladas. O estudante Guilherme Sandi, 19 anos, conta que nunca foi vítima de agressões, mas já presenciou uma briga em uma boate. “Me vi no meio da confusão, mas eu sai correndo porque poderia sobrar algum sopapo para mim. Foi briga por causa de mulher”, relembra.

Ele garante que tenta evitar brigas a qualquer custo, mas confirma que o problema de violência na madrugada é constante em Bauru. “Se alguém mexe comigo ou com uma namorada, eu tento sair de perto, porque não sou de brigar. Provavelmente ia fazer de tudo para não começar uma briga porque não sou adepto da violência, mas esse é um problema que existe, sim”.

Eduardo Mauad, que é proprietário de uma casa noturna na Zona Sul da cidade, afirma que dificilmente ocorrem brigas dentro ou mesmo na saída da boate. “É muito difícil ter briga, muito esporádico. Na saída é mais difícil ainda. Ouvimos falar disso mais em cidades de grande porte. Na nossa casa, a maioria do pessoal é conhecido então é difícil ter confusão”, comenta.

Segundo Mauad, o movimento aos sábados ultrapassa mil pessoas. Para isso, a boate conta sempre com 14 a 16 seguranças uniformizados. “Em caso de confusão, a orientação é separar quem está brigando e tirar da casa, um de cada vez, para a briga não continuar do lado de fora. E sem usar a força, a orientação é somente separar”, garante.

A reportagem do JC tentou contato com proprietários de outras casas noturnas de Bauru, porém não teve retorno.

Outras noites violentas

No mês passado, um adolescente de 17 anos foi espancado com socos e pontapés por cinco rapazes ao sair de uma boate na Vila Olímpia, bairro nobre de São Paulo. Em entrevista a jornais da Capital, a vítima relatou que havia esbarrado sem querer em um dos agressores. O garoto perdeu quatro dentes, sofreu fraturas no nariz e em outras áreas do rosto.

Recentemente no Itaim Bibi, bairro vizinho à Vila Olímpia, um mecânico de 40 anos também foi agredido com socos e pontapés por três rapazes de classe média, em um bar. Bastaram 20 segundos para que os estudantes quase desfigurassem Freitas. No início do ano, um adolescente de 17 anos morreu após ser também brutalmente espancado em frente a uma casa noturna de Campinas, freqüentada principalmente por jovens de classe média-alta da cidade. Na ocasião, testemunhas afirmaram que ele tentou entrar na casa sem pagar e teria sido agredido por seguranças da boate.