A palavra vereador vem de vereda. Isto significa que em seu trabalho o vereador deve circular pelas veredas da cidade. De todos os políticos, o vereador é o que realmente entra em contato direto com o povo. Deixar de pagar vereadores pode ser encarada como medida anticonstitucional, antiética e antidemocrática, a nosso ver. A Constituição prevê, no art. 37, que os vereadores devem receber como máximo um ordenado equivalente a 75% do que ganham os deputados estaduais. Em nenhum momento se vê os constituintes falarem em ganho zero, embora num esforço de imaginação se poderia dizer que quem fala em máximo admite um mínimo. Restaria uma discussão filosófica se zero e mínimo são compatíveis. Caso essa posição prosperasse, é possível que no futuro também se deixasse de pagar os deputados e, de grau em grau, chegaríamos a um rei que ganharia sozinho, rodeado de ajudantes pobretões. Antiética porque os vereadores que terminam uma legislatura é que fixam os salários dos que vêm a seguir. A não ser em caso de se fixar um prazo, digamos cinco anos, para ser posta em prática, tal medida soaria como mudar as regras do jogo com o jogo em andamento. E antidemocrática porque somente aposentados, idealistas, filósofos amadores e alguns outros provavelmente se interessariam em se candidatar. Numa época de esforços para se aumentar a representatividade do povo com o surgimento de ONGs, novos sindicatos, não nos pareceria democrático restringir tão drasticamente a presença dos múltiplos segmentos da sociedade nas câmaras municipais. (Ruy Celeste Bertotti - médico - RG 1.008.388 CRM 14.315)