08 de julho de 2026
Articulistas

Comandando espetáculo!


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Alguma coisa foi arrumada, colocada nos devidos eixos, mas a casa, chamada Brasil, continua com muitas carências desafiantes. Reconhece-o o chefe da nação, conforme não escondeu na análise que fez em programa quinzenal na rede de rádio, ressaltando que seu governo tem trabalhado de “forma muito dura para arrumar a casa”, mas a obra está apenas no alicerce, havendo necessidade de que as paredes ganhem mais altura para que a construção atinja a estatura ideal. “Queremos que o modelo de crescimento da economia brasileira tenha um andamento sustentável, que se dê durante vários anos seguidos. Não esperamos aquele crescimento que cresce um ano e não cresce no seguinte” - fez questão de frisar o presidente, ex-metalúrgico, acrescentando: “Recebemos com otimismo e ao mesmo tempo com cautela as notícias de que a produção industrial do País bateu recorde nos 18 meses de nosso mandato”. Impõe-se, então, que os cuidados do governo, que impulsionam ardorosamente o setor manufatureiro, faça o mesmo nas demais áreas, especialmente as abrangidas pela agricultura, pecuária, comércio e pessoas físicas. Um destaque da análise recaiu no fato de que o chefe nacional mudou a filosofia de seus discursos, eliminando a retórica do “espetáculo do crescimento”, habitualmente adotada por ele, no que está sendo seguido pela maioria de seus ministros, considerando que a colocação caiu de moda. Em um ano e meio de privilegiado assento em macias poltronas palacianas e aeronáuticas, no Brasil e países que também gostaríamos de conhecer, teria ele chegado à conclusão, já assumida pela população, de que é imprescindível esquecer um pouco a empolgação que caracterizou sua posse e passar a comandar cautelosamente o espetáculo que prometeu em campanha e reafirmou em junho do ano passado, precisando, agora, sair do cenário estritamente teatral e ser colocado no panorama realístico das ruas para que sua administração não venha a passar em brancas nuvens e viva alerta tanto quanto possível e almejado. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC.

“No caminho da sorte um dia morri... Dei um beijo na morte e sobrevivi” - Raul Gil.