08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Lixo ou gente?


| Tempo de leitura: 2 min

A miséria e a marginalidade que se abatem sobre o nosso País são cada vez e cada dia mais visíveis e palpáveis, especialmente nos grandes centros urbanos. São milhares as pessoas marginalizadas que sobrevivem perambulando pelas ruas. Muitos são chamados de “papeleiros”. Que futuro os espera, se costumam ser confundidos com o lixo? Alguns deles procuram ganhar a vida catando papel. Quantos desses marginalizados estão lentamente perdendo sua identidade pessoal e seus vínculos familiares!

É o ser humano em processo de degradação. Sua única esperança é a de permanecer vivo. Essa é uma realidade trágica. A sociedade dita moderna, acostumou-se a conviver com a miséria, fome e morte, ao lado da riqueza, luxo, desperdício. Somos forçados a refletir seriamente sobre cenas como a que descreve Manuel Bandeira, no poema “O Bicho”, cenas que fazem parte do nosso cotidiano nas ruas, avenidas e praças. O poema do grande mestre fala assim: “Vi ontem um bicho na imundície do pátio, catando comida entre os detritos, quando achava alguma coisa, não examinava, nem cheirava, engolia com voracidade. O bicho, meu Deus, era um homem!”

A “Pastoral da Rua” tem procurado escutar o grito dos catadores de papel e outros marginalizados. Ela busca um caminho de transformação a partir das marquises, dos viadutos, das ruas e praças da cidade. E tenta reuni-los numa comunidade de fé, de partilha, de luta, onde todos são acolhidos como irmãos, dando-lhes possibilidade de ter voz e vez na sociedade. Desta forma, os catadores de papel resgatam o desejo de viver, de terem seus direitos garantidos, de serem respeitados como gente. Recuperam a consciência, a dignidade de filhos de Deus que lhes foi roubada. Qual é o nosso compromisso com essa realidade? O que podemos fazer?

João Álvares - Da Associação Paulista de Imprensa - Da Ordem dos Velhos Jornalista do Estado