09 de julho de 2026
Cultura

Municipal fica sem luz e gera polêmica

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Foi desagradável para todos, público, artistas, técnicos e funcionários da Secretaria Municipal de Cultura (SMC). Na noite da última sexta-feira, o espetáculo “Personalíssima - A Vida, Os Amores e As Canções de Isaurinha Garcia” com Rosamaria Murtinho, havia acabado de começar no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves” quando, de repente, o prédio ficou sem luz. A iluminação de emergência acendeu mas, por alguns instantes, todos ficaram sem saber o que estava acontecendo.

Minutos depois a equipe da SMC restabeleceu a energia e o espetáculo recomeçou. Cerca de uma hora depois do incidente as luzes se apagaram de novo e não voltaram mais. O público, que ainda não sabia o que havia acontecido da primeira vez, foi obrigado a assistir o resto do espetáculo com uma precária, para uma obra daquelas proporções, iluminação de emergência.

A situação, no mínimo constrangedora para todos os presentes, revoltou alguns dos espectadores, que enviaram e-mails e escreveram cartas para a Coluna do Leitor do Jornal da Cidade indignados com a falta de explicação sobre o que aconteceu.

Até agora não há uma justificativa satisfatória para o incidente. A assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal divulgou ontem uma nota na qual afirma que o problema foi causado por uma oscilação da rede de alta-tensão. O secretário municipal de Cultura confirma: “As pessoas falaram que foi falta de manutenção. Pelo contrário, se fosse falta de manutenção não teria desligado. A primeira vez desligou quando foi acionado o sistema de proteção da rede de alta-tensão. Se fosse um curto-circuito interno ia ter desligado o sistema de proteção de baixa tensão. Houve uma oscilação da rede da CPFL, alguns vizinhos disseram que houve uma queda bem rápida, que acionou o sistema da primeira vez”, explica Sérgio Losnak

Depois que o problema foi solucionado, segundo o secretário, uma nova oscilação teria provocado o outro apagão e, desta vez, queimando um fusível. Técnicos da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) foram chamados mas o reparo não pôde ser feito a tempo do espetáculo ser finalizado como deveria.

A professora Vera Lígia Senger, que mora na quadra 9 da rua Ezequiel Ramos, próximo ao teatro, diz que se lembra de oscilações na luz. “Aconteceu uma duas vezes perto das 21h. Minha irmã estava na cozinha e até reclamou”, lembra. O espetáculo começou pouco depois das 21h.

A assessoria de imprensa da CPFL, por outro lado, confirma que funcionários da empresa estiveram no prédio municipal mas nega a existência de oscilações na rede de alta-tensão. “Foi um problema interno, do teatro”, diz a assessoria.

Para Sérgio Losnak, não há como o problema ter acontecido dentro do prédio “A questão é na alta-tensão, uma variação levou a desligar o nosso sistema como forma de proteção. Não teria porque esse sistema desligar se não houvesse uma variação na rede de alta-tensão. Esse fusível existe para proteger de algo que chega de qualquer maneira. É um fusível de entrada, alguma oscilação aconteceu para ele cair. Se fosse um problema interno o sistema de baixa-tensão também teria desligado”, contesta.

Segundo o secretário a empresa responsável pela estrutura elétrica de teatro vai investigar as instalações esta semana para descobrir até que ponto as possíveis oscilações da rede interferem no sistema. “Em quatro anos esse sistema funcionou muito bem”, diz.

Público no escuro

Apesar dos problemas com a luz o público permaneceu no teatro até o término do espetáculo, que foi até o fim por decisão da própria Rosamaria. Para Losnak as pessoas presentes compreenderam o problema. “Tanto entenderam que ficaram. Se o público não tivesse entendido tinha ido embora ou pedido o dinheiro de volta”, diz o secretário.

A atitude dos bauruenses emocionou Rosamaria Murtinho. “Bauru vai ser a minha cidade do Interior de São Paulo pelo respeito que tiveram comigo. Não arredaram o pé e ninguém pediu o dinheiro de volta. Isso foi muito elegante”, diz a atriz, que teve que entreter o público com improvisos quando a luz acabou da primeira vez e terminou o musical cantando a capela.

Rosamaria porém, não poupa críticas à estrutura do teatro, que ela acredita precisar de uma manutenção mais cuidadosa e aponta o “quadro de luz” como responsável pelo apagão. Ela afirma, em entrevista por telefone ao JC, que “pediram” para que ela disesse ao público que o problema havia sido fora do teatro mas ela se recusou. “Não era verdade, não ia falar isso para o público”.

Sérgio Losnak rebate a afirmação dizendo que ninguém da secretaria teve contanto com a atriz, que esteve no palco o tempo todo, segundo ele. “Nosso contato foi com a produção e desconheço que alguém tenha feito esse pedido”.

Enquanto ninguém assume a responsabilidade pelo incidente, a única boa notícia é dada justamente por uma das principais vítimas da história, a própria Rosamaria. “Estamos tentando voltar para Bauru para apresentar o espetáculo como ele deve ser feito. Já elegi minha cidade do coração”.