É conhecido o refrão de que cada um puxa a brasa para sua sardinha. Esta é uma realidade, mutatis mutandi, que ocorre em nosso País, em vários setoresde nossa atividade. Os médicos conseguiram os exames “pré e pos” - admissionais dos trabalhadores. Os engenheiros, o laudo de regularidade. Os contadores, as assinaturas nos balanços das empresas. Os advogados, assinatura nas defesas judiciais. Enfim, um emaranhado de procedimentos que, se verificados frente às suas realidades, demonstrarão sempre um interesse subalterno que é a defesa da classe, e não da população. Nossa Constituição de 1988 (existiram outras defendendo, em cada época, interesses diversos de acordo com a filosofia reinante) diz que é livre o exercício de qualquer trabalho; que há o direito de petição e o Estado prestará assistência jurídica integral aos necessitados, que o cidadão tem direito à educação e à saúde, entre outros. Entretanto, na realidade, a Constituição tem sido mero enunciado, sujeitando-se aos interesses de tantos quantos têm acesso ao poder ou vegetam às suas margens. É a classe dominante. São os grupos participantes da oligarquia reinante que desfrutam, a seu bel prazer, das benesses governamentais. Banqueiros e aplicadores seguem essa rotina. E o povo, aquele que só paga e mal sobrevive, e é sempre achincalhado, pisoteado e espoliado? Esse não tem quaisquer agasalhos reais, verdadeiros, sensíveis e mensuráveis. Vive ao Deus dará na esperança de dias melhores. Até quando? Vamos mudar o esquema? Vamos, pelo menos, tentar uma nova caminhada? Vamos sair do lugar comum, da valeta sórdida e putrefata que exala os piores odores que a sensibilidade humana já não consegue suportar.Vamos começar uma nova era, um novo tempo com novo horizonte e uma paisagem mais produtiva, mais parcimoniosa em relação aos bens públicos e com maior respeito à cidadania. É época de mudança. Aproveitemos a oportunidade, façamos com que nossos dias sejam melhores, mais tranqüilos e produtivos para o bem geral. É só querer; a brasa está acesa, vamos puxar para nossa sardinha.
Itamir Crivelli - OAB 20.911