30 de maio de 2026
Tribuna do Leitor

Greve nas universidades


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Todo apoio à greve nas universidades paulistas. Nos últimos dias, vários leitores têm se manifestado através desta coluna. Alguns favoráveis e outros contrários à greve que se desenvolve nas universidades paulistas: Unesp, Unicamp e USP. Como trabalhador, jornalista, bacharelando em Direito, militante do PSTU e diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, sinto-me na obrigação de dar minha opinião. Servidores e estudantes das universidades (a maioria) travam uma dura batalha contra o arrocho salarial imposto pelo governo do PSDB, desde 1995 no comando central do Estado de São Paulo. Assim que assumiu o governo, o tucanato virou as costas para as universidades. Com isso, há um contínuo desaparelhamento das dependências universitárias, e os servidores (docentes e trabalhadores em geral) seguem com seus salários arrochados. Diante deste quadro lamentável, como querer que o País e o Estado se desenvolvam, criem tecnologia, universalizem o conhecimento? É necessário entender que as universidades públicas são responsáveis quase que pela totalidade das pesquisas acadêmicas no Brasil, diferentemente de alguns conglomerados privados que somente importam-se com o lucro fácil, conquistado via isenções fiscais e mensalidades cada vez mais caras. Por isso, a luta dos servidores e estudantes deve ser apoiada por todos. Se queremos uma universidade de qualidade, devemos apoiar esta greve. Porém, se desejamos uma universidade sucateada, com servidores mal remunerados e estudantes nada aprendendo, devemos “jogar pedras” no movimento dos trabalhadores.

Vale lembrar ainda que a greve é uma arma legítima e constitucional dos trabalhadores. Se transtornos são causados, devem ser imputados ao verdadeiro responsável: o governador Geraldo Alckmin, do PSDB. Um outro assunto para o qual a sociedade deve estar atenta é a reforma universitária articulada pelo governo Lula (PT). Se for levada adiante, significará a privatização disfarçada do ensino público superior, favorecendo os grandes empresários “da educação”. Olho vivo! Finalizo destacando dois poemas de Bertold Brecht, um para demonstrar que a privatização não é pauta nova como querem fazer crer os paladinos do (neo)liberalismo e outro para homenagear os lutadores: “Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário.

E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence” e “Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons; Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons; Há

aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.”

Marcos Silvestre - RG 20.069.581