Com 80% da produção concentrada na Bahia, a mamona tem um vasto mercado a ser explorado, principalmente no Estado de São Paulo. Para falar sobre isso e trazer uma série de informações sobre o cultivo desta cultura, no próximo dia 27 será realizado o Dia de Campo Cultura da Mamona, evento inédito realizado pelo Sindicato Rural de Bauru e pela Secretaria Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP).
De acordo com o presidente do Sindicato Rural e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, a cultura da mamona vem ganhando força nos últimos anos a partir de um “renascimento” impulsionado por modernas técnicas de cultivo e manejo.
Além disso, com a baixa produção existente atualmente no Estado e em várias outras regiões do País, a comercialização do produto é garantida. Algumas empresas fazem, inclusive, contrato antecipado.
“Para a nossa região, essa cultura é ideal em função do clima quente. Eu já plantei mamona, há muitos anos, mas sempre encontramos dificuldade para comercializar a produção. Mas hoje, além da grande demanda existente, a mamona tem diversas atribuições e seus derivados, como o óleo de mamona, são utilizados na confecção dos mais variados produtos”, destaca Lima Verde.
O engenheiro agrônomo José Geraldo Carvalho do Amaral, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) e Cati Sementes - que promovem o Dia de Campo juntamente com o sindicato e o Senar -, diz que a maior parte das indústrias que têm interesse na mamona estão no Estado de São Paulo. Mas pelo fato de que o principal pólo produtor está muito longe, elas estão trabalhando com cerca de 50% de sua capacidade.
“Não há dúvidas de que o mercado a ser explorado é enorme. Soma-se a isso a utilização múltipla dessa cultura. É possível fazer mais de 400 produtos a partir da mamona, desde o óleo de mamona até lentes de contato, passando por próteses humanas, colchões, tintas, verniz, graxas, lubrificantes em geral, cosméticos e muitos outros”, enumera Amaral.
Simplicidade
Outra atraente característica da mamona, segundo Lima Verde, é o fato de ser uma cultura simples, barata e de fácil manejo. Pode ser plantada em pequenas áreas e, até mesmo, próxima a outras culturas. Os pés de mamona chegam a uma altura de 2 metros, em média. A espécie híbrida alcança entre 1,20m e 1,40m. O ciclo da mamona é curto, de 150 a 180 dias.
“O cultivo da mamona é simples e oferece um retorno econômico muito bom. É uma cultura que pode ser adotada por pequenos produtores e por famílias indígenas. Então, aproveitando todas essas características positivas e o bom momento dessa cultura no País é que decidimos fazer o Dia de Campo. É fundamental descobrir e divulgar novas alternativas para a agricultura”, observa Lima Verde.
De acordo com ele, a idéia é ampliar o projeto que começará em Bauru no próximo dia 27 e realizar o evento em várias outras cidades. Um dos motivos é a falta de matéria-prima, já que a produção de mamona concentra-se na Bahia. “Eu conheço uma empresa que gasta R$ 200 mil por mês só de frete para trazer o produto de outro Estado.”
Percebendo a grande demanda do mercado, a Cati Sementes está atuando na busca de novas tecnologias para o plantio e colheita da mamona. Atualmente já existe a colheita mecanizada nos Estados de Minas Gerais e Mato Grosso, segundo informa o engenheiro Amaral.
“Hoje, existem tecnologias para pequenos, médios e grandes produtores. Durante o evento do dia 27 vamos mostrar isso também, contando com a presença de grandes especialistas no agronegócio da mamona”, observa o engenheiro e organizador do Dia de Campo.
De acordo com os organizadores do evento, a mamona é uma cultura pouco afetada por pragas e doenças. Recomenda-se evitar plantios sucessivos na mesma área, mudar de local após dois anos e evitar áreas ocupadas com mamonas nativas. Segundo Amaral, a incidência de mofo diminui com a utilização de espaçamentos mais largos em anos e/ou locais de pluviosidade alta.
• Serviço
O Dia de Campo Cultura da Mamona será realizado no próximo dia 27, das 8h30 às 12h, na Fazenda São José, que fica na rodovia Marechal Rondon (Avaí-Bauru), km 366 mais 500 metros. Os temas abordados serão “Cultivares e híbridos de mamona”, “Manejo de plantas daninhas” e “O agronegócio da mamona”. Informações: (14) 3232-2555 e 3234-2938.