09 de julho de 2026
Rural

Impasse adia a instalação da Comissão Brasil-China

Por Murilo Murça de Carvalho | Correspondente JC em Brasília
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A falta de definição de representantes e de formatação está atrasando a instalação da Comissão Binacional Brasil-China, destinada à montagem de um amplo acordo de cooperação e intercâmbio envolvendo toda a cadeia produtiva sucroalcooleira, que vai desde a produção de insumos e equipamentos até a produção de cana-de-açúcar e álcool e a produção de motores e veículos a álcool e flexfuel (que utilizam álcool ou gasolina ou ambos, em qualquer proporção).

A expectativa de especialistas do setor é que, a partir da instalação da Câmara de Desenvolvimento Econômico na última quarta-feira, com o ministro da Casa Civil José Dirceu à frente, se promova a indispensável coordenação dos esforços governamentais para apressar a constituição da Comissão Brasil-China, uma vez que os entendimentos são tão demorados quanto as medidas práticas a serem tomadas, como por exemplo, plantar cana-de-açúcar. E, para isso, prever expansão de área de cultivo, compra de equipamentos, montagem de programas de financiamento viáveis.

A formalização dessa comissão ocorreu por ocasião da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, em maio passado, embora os entendimentos tivessem começado ainda no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso. As possibilidades de expansão do setor sucroalcooleiro com a parceria despertou muita atenção por parte dos produtores nacionais, que se mobilizaram para participar das negociações.

Até o momento, no entanto, há apenas uma minuta de proposta elaborada pelo Ministério da Agricultura e já apresentada à Câmara da Cadeia Produtiva do Setor, reunida em Brasília, semana passada. Os demais ministérios e órgãos do governo não se manifestaram sobre o assunto até o momento.

A proposta do Ministério da Agricultura parte do conceito de que o Brasil detém a supremacia mundial na tecnologia de plantio da cana-de-açúcar, da produção e uso do etanol e no armazenamento, transporte e distribuição desse combustível. E que a “indústria automobilística brasileira tem experiência de aproximadamente 25 anos na produção de veículos que utilizam etanol, atuando continuamente no desenvolvimento de novas tecnologias de uso, como é o caso do lançamento dos automóveis que utilizam alternativa ou simultaneamente gasolina e álcool, mais conhecidos como flexfuel”.

O Brasil, segundo o documento, tem a chance de se aproveitar do interesse chinês em “adicionar álcool à gasolina para melhorar as condições ambientais, reduzir a dependência do petróleo, estimular a reforma da agricultura, aumentar a renda dos produtores rurais, substituir o uso de cereais (já escassos) por cana-de-açúcar na fabricação de álcool, com o conseqüente deslocamento da produção do Norte para o Sul da República Popular da China, onde há condições para produção da cana-de-açúcar semelhantes às brasileiras”.