09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Segurança é meta de ação do SindusCon

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Com a proposta de conscientizar as empresas da construção civil a promover melhorias em seus ambientes de trabalho, o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de São Paulo (SindusCon-SP) lançou oficialmente, em Bauru, um programa de ação continuada em segurança no trabalho.

O projeto, realizado pela Regional Centro-Oeste do SindusCon em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), teve início no final do ano passado e está sendo desenvolvido em diversas etapas, que incluem visitas às empresas para diagnóstico de necessidades; esclarecimentos e conscientização do patronato e de trabalhadores sobre os aspectos e exigências legais de segurança; orientação para implantação de melhorias físicas no ambiente de trabalho e acompanhamento periódico e sistemático das ações desenvolvidas pelas empresas.

De acordo com o diretor regional do SindusCon, Ralph Ribeiro Júnior, o programa deve ser desenvolvido na área de abrangência de toda a regional, que inclui 98 cidades.

Na primeira etapa do projeto, o Senai disponibilizou um técnico de segurança para vistoriar 15 canteiros de obras de empresas da região associadas ao sindicato e avaliar como estão sendo cumpridas as exigências legais em relação à segurança no trabalho. “Nós precisamos conhecer efetivamente quais são os nossos problemas, o que está acontecendo com as nossas empresas”, diz Ribeiro Júnior.

Segundo a assessoria de imprensa do SindusCon, paralelamente às ações de acompanhamento junto às empresas, o projeto está reunindo mensalmente empresários para discutir as demandas do setor e as melhores alternativas para atendê-las, incluindo palestras com consultores em segurança e gestão empresarial.

Outra vertente é voltada para os trabalhadores, para os quais serão oferecidos cursos, oficinas e treinamentos, especialmente nas áreas de segurança, incentivo ao uso dos equipamentos de proteção individual (EPI), saúde e higiene.

“Não há nesse trabalho qualquer questão fiscalizadora. Obviamente é uma questão de orientação, acompanhamento e um trabalho que visa uma coisa maior: a saúde e segurança do trabalhador”, diz Ribeiro Júnior.

O lançamento do programa foi acompanhado por associados do SindusCon-SP e Senai, representantes políticos, representantes do Ministério do Trabalho e Procuradoria Federal do Trabalho.

A direção do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil afirmou anteontem à reportagem que a proposta do programa não foi apresentada à entidade, e que por isso não poderia comentá-la.

Redução de acidentes

De acordo com o diretor regional do Senai-Bauru, Reinaldo Munhoz, a partir da implantação das ações do programa de segurança no trabalho o objetivo é reduzir ao máximo os níveis de acidentes na indústria da construção civil, por meio de um processo de conscientização de empresários e trabalhadores.

“O empresário deve estabelecer uma linha extremamente crítica e com a percepção muito clara de que muitas ações que deverão redundar na minimização dos problemas de segurança são simples e baratas”, diz.

Na avaliação do presidente do SindusCon-SP, Artur Quaresma Filho, os acidentes de trabalho no setor foram reduzidos significativamente nos últimos anos. Segundo ele, levantamento realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo apontou que, em 1995, na Capital, foram registradas 148 mortes por acidente de trabalho. No ano passado, foram 14.

Na região de Bauru, segundo dados do sindicato dos trabalhadores, até 1999, eram registradas, em média, cinco mortes por ano em decorrência de acidentes de trabalho na área da construção civil. Atualmente, a média é de duas mortes por ano. Em relação aos acidentes graves, segundo o sindicato, o número foi reduzido em 70% nos últimos cinco anos.

“Minha meta como presidente do SindusCon é acidente zero. E a única forma de você conseguir acidente zero é conscientizar as pessoas que estão envolvidas na sua obra”, diz.

Munhoz afirma que algumas dificuldades que envolvem a segurança no trabalho estão relacionadas à própria carência de qualificação profissional. O diretor lembra que Bauru vai sediar em breve um núcleo de profissionalização no setor, que deve contribuir para melhorar esse quadro. O início da construção da escola do Senai, segundo ele, deve ocorrer nos próximos meses.

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Positivo

A subdelegada do Ministério do Trabalho (MT) em Bauru, Maria Rita Maringoni, considerou positivo o fato do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindsCon-SP) tomar a iniciativa para discutir melhores condições de segurança no setor.

“Eu acho muito bom que a própria categoria patronal esteja realmente preocupada em abordar a questão da segurança com seriedade, com prevenção. Porque todos têm a ganhar com isso, a própria indústria da construção civil, o governo, o empregado, o sistema todo”, diz.

Na avaliação de Maria Rita, o fato das empresas estarem adotando atualmente uma postura mais preventiva em relação à segurança do trabalho é reflexo de todo o processo de fiscalização que vem sendo realizado pelo Ministério do Trabalho nos últimos anos.

O MT não tinha anteontem dados estatísticos sobre acidentes ou sobre os principais problemas de segurança do trabalho na área da construção civil registrados na região de Bauru.

De acordo com dados do Ambulatório Municipal de Saúde do Trabalhador, foram registrados em Bauru 13 acidentes de trabalho no setor entre maio de 2003 e fevereiro de 2004. Os membros superiores foram a parte do corpo mais atingida (6 casos), seguidos pelos membros inferiores (3 casos), cabeça (2) e olhos (1). O tipo de lesão mais freqüente foi o ferimento corte contuso, com quatro casos, seguido dos ferimentos perfurantes (3), trauma (2), fratura (2), escoriações (1) e corte com escoriações (1).