09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A quarta-feira de cinzas que antecede ao carnaval


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Existe uma famosa canção da dupla Benedito Lacerda e Aldo Cabral, criação de Francisco Alves, cujo título é “Carnaval de minha vida”, que inicia-se desta forma: “Quarta-Feira de Cinzas amanhece/Pelas ruas há um silêncio que parece/Que o próprio mundo se despovoou... Um toque de clarins lá bem distante/Vai levando consigo agonizante/O som do carnaval que já passou...” Será que essa letra musical diz algo às pessoas que se propõem fazer Carnaval em nossa cidade? Será que Bauru terá a “primazia” de ser a pioneira em vivenciar uma Quarta-Feira de Cinzas antes mesmo de surgir os dias de Carnaval? Pois bem, é incrível, mas faltando hoje, 25/7, exatos 194 dias para a magna festa popular de 2005, o que se fez para que a mesma volte a entusiasmar, alegrar e colocar a cidade, novamente, como a principal do Interior paulista nesses desfiles? O que se tem conhecimento e se propala aos quatro cantos da cidade é que a Lesec (leia-se presidentes das escolas de samba) e a Secretaria de Cultura, nas raras vezes em que se reúnem, decidem, de chapéu na mão, angariar recursos através da venda de pasteis, bolinhos, “porpetas” e sabemos lá mais o que, em eventos beneficentes em que as escolas de samba pegam carona e tentam angariar recursos, armando lá suas barracas. Por estarmos vivenciando um ano político, também “caçam” os candidatos na tentativa de conseguirem verbas para os desfiles. Correm atrás de tudo, mas de forma desordenada, sem planejamento, sem objetivos claros, sem projetos definidos, importantíssimos para a atração de investimentos que, não necessariamente, devessem ser gerados exclusivamente de fonte pública, mas também dessa fonte. Certamente, se houvesse um trabalho social nas comunicades das escolas durante os 365 dias do ano, muitas empresas, e até o poder público, interessar-se-iam em colocar seu nome na maior festa popular-cultural de nosso País.

Um movimento paralelo formou-se com alguns abnegados contrários a tudo que está acontecendo em termos de Carnaval, tentando mudar o rumo das coisas, de forma séria, crédula e transparente. Mais pessoas estão se agregando ao movimento “De Olho na Cidade, VCV Bauru, Viva o Carnaval Vivo”. Aparentemente calmo, o movimento deverá mostrar seus desdobramentos já para os próximos dias. O tempo passa rapidamente, urge ações imediatas se quiserem contemplar novamente a cidade alegre e o Sambódromo restaurado, reestruturado, limpo, seguro, iluminado, repleto de foliões, prestigiando aquele que, com muita luta e entusiasmo, seja lá dirigido por quem, será reerguido e voltará, com todo o vigor, a constituir-se, aí sim, num dos poucos orgulhos de Bauru. É só as escolas de samba, a Lesec e a Secretaria de Cultura acreditarem e mostrarem a que vieram.

José Esmeraldi - RG 4.358.469