08 de julho de 2026
Cultura

Impressões

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Uma boa idéia nem sempre vir acompanhada de uma grande infraestrutura para aparecer. A exposição “Revendo Renoir”, que o Atelier Sonia Gabriele abre hoje, às 20h30, é um exemplo disso. Com 42 quadros de 18 pintoras - alunas da artista plástica Sonia Gabriele, coordenadora do evento - a mostra traz cópias e releituras de obras do mestre impressionista francês e serve tanto para chamar atenção para o seu genial trabalho (principalmente para os que ainda não o conhecem) como para apresentar visões do que ela pode gerar.

Numa época em que se discute o fim da arte tradicional diante das novas possibilidades de expressão como as instalações que cada vez mais ocupam as grandes bienais, por exemplo, é interessante observar como é possível recriar idéias.

O ateliê realiza anualmente exposições com obras das suas integrantes. No ano passado o tema foi a cidade de Bauru. Para 2004 Sonia Gabriele escolheu Renoir, como já havia feito com Michelangelo e Monet em anos anteriores. “A intenção era fazer uma exposição um pouco didática sobre o pintor e ao mesmo tempo mostrar como é difícil se fazer uma cópia”, diz.

Segundo a artista plástica e professora as pintoras começaram a estudar a obra do mestre ainda em 2002, quando foram à São Paulo apreciar uma grande retrospectiova organizada pelo Museu de Arte de São Paulo (Masp). Depois de pesquisar o seu estilo, cada uma escolheu um quadro do pintor e realizou uma cópia e uma releitura.

A cópia pode ser entendida como um exercício no qual se busca a semelhança. “A gente tenta assimilar a escola do pintor” explica Carla Rugai Pereira Leite, uma das expositoras. Já a releitura é a criação livre de um novo trabalho que tenha em comum com o original o tema, a técnica ou conceito.

É aí que “Revendo Renoir” cresce, principalmente em obras como as que Jussara Felício e Vera Rita Ferreira, entre outras, realizaram. A primeira exercitou a pincelada carregada de Renoir numa obra inspirada por “Praça de São Marcos em Veneza”, de 1881, que também copiou com habilidade. O resultado é belíssimo e bastante original, com o uso de cores vivas e o relevo natural das generosas porções de tinta. Vera Rita por sua vez modernizou a figura de “Nu em Cadeira de Braço”, como que adiantando a obra do pintor em um estilo artístico. Vale a pena dar uma olhada.

• Serviço

Exposição “Revendo Renoir”, com obras de 18 artistas sob a coordenação de Sonia Gabriele. Até o dia 10 de agosto. Rua Anis Dabus, 1-40. Informações: (14) 3227-1538.

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Mestre impressionista

Pierre-Auguste Renoir nasceu em 1841 na cidade de Limoges e é considerado um dos grandes pintores do seu período. Seus estudos de pintura começaram em 1862, mas o reconhecimento só veio uma década depois. Impressionista que sempre se preocupou com a forma, Renoir tem sua obra marcada pela alegria no uso das cores e também no espírito das personagens retratadas, muitas delas mulheres. São famosas as suas séries de banhistas. Sofrendo de artrite, continuou a pintar com um pincel amarrado às mãos até morrer, em 1919. O pintor é pai de Jean Renoir, autor de alguns clássicos do cinema na década de 30.