10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Cesta básica pesa menos na região

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Nos últimos dois meses, a regional de Bauru do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), que abrange 97 cidades, foi a que registrou o maior percentual de irregularidades em itens da cesta básica aferidos em todo o Estado.

Em quatro pesquisas realizadas pelo órgão, três delas incluindo Bauru, a média de reprovação atingiu cerca de 70% dos produtos analisados, de acordo com o diretor regional do Ipem, Luiz Antônio Brizzi. “A regional vem se destacando nas constatações de irregularidades”, diz.

Na última aferição, realizada pelo órgão anteontem, de 11 produtos verificados, oito estavam irregulares, ou seja, 72,73%. A pesquisa tomou como análise produtos de supermercados dos municípios de Lençóis Paulista, Araraquara, São Carlos e Ibaté.

“A maioria desses produtos quando vem para o Ipem já estão sob suspeita. Nós fazemos um pré-teste no mercado. Então esse resultado não significa que 70% do que está exposto à venda nos supermercados da região estejam irregular. É 70% do que nós coletamos para exame e que, na maioria dos casos, já são produtos suspeitos”, explica.

Na Capital, 54,55% dos 11 produtos analisados foram reprovados durante a última pesquisa. Em todo o Estado, de 57 produtos verificados, 52,63% apresentaram problemas.

Brizzi considera o resultado da região de Bauru negativo, mas afirma que é difícil apontar o fator que estaria contribuindo para a liderança da regional nas estatísticas de erros. O resultado, segundo ele, pode estar relacionado ao fato do Ipem de Bauru ter direcionado suas aferições nos últimos meses para empresas regionais, de menor porte. “Nós temos direcionado nosso trabalho para empresas de marcas menos conhecidas e menos tradicionais e isso pode estar interferindo”, diz. “Nas marcas menos conhecidas, a possibilidade de ocorrer erro é maior, porque é uma indústria menor, que, às vezes, não tem um controle de qualidade tão rígido e equipamentos tão sofisticados”, diz.

Isso não quer dizer, segundo o diretor, que também os produtos das grandes empresas não sejam reprovados. Na pesquisa realizada anteontem pelo Ipem de Bauru, por exemplo, a mercadoria que apresentou maior irregularidade foi um biscoito recheado de 170 gramas. O produto apresentou diferenças de até 3,4 gramas com relação ao peso descrito na embalagem. As irregularidades detectadas pelo Ipem encontram-se na diferença entre o peso real e o que vem indicado na embalagem da mercadoria.

Multas

Segundo Brizzi, quando a irregularidade do produto é constatada, o fabricante é imediatamente notificado para retirar o lote reprovado de circulação. Após um processo administrativo e jurídico, o Ipem fixa uma multa, que pode variar de uma simples advertência até R$ 50 mil. O valor é dobrado em caso de reincidência.

O Ipem, que é um órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, possui cinco regionais em todo o Estado, além da Capital, que realizam esse tipo de fiscalização nos itens da cesta básica.

Os consumidores que encontrarem algum produto com erro no peso ou na medida podem fazer a denúncia à Ouvidoria do Ipem pelo telefone 0800-130522.

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Orientação

Para evitar pagar por uma quantidade e levar menos para casa, Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) orienta o consumidor a pesar os produtos antes de comprá-los. “Nós sugerimos que o consumidor, na medida do possível, no próprio ponto de venda, procure passar o produto pela balança. Se ele suspeitar de irregularidades, deve, além de recusar o produto, fazer a denúncia junto ao Ipem”, diz Luiz Antônio Brizza, diretor do orgão.

Consumidores consultados ontem pelo JC afirmaram que ainda não adotaram essa prática, apesar das desconfianças em relação ao peso e à medida de algumas mercadorias. Este é o caso, por exemplo, da pedagoga Cristiane Santos, 37 anos. “Eu nunca tirei a prova por causa da falta de tempo. Eu saio do serviço e vou para casa correndo”, justifica.

Também a advogada Juliana Biondo, 25 anos, acredita que muitos produtos tenham irregularidades, mas afirma que nunca realizou qualquer checagem. “A diferença é tão pequena que você acaba deixando para lá. É o problema do brasileiro: você vai brigar por causa de dez gramas?”, questiona.

Já Odair Maldonado, 54 anos, afirma ser um consumidor exigente. “Para mim não é novidade usar a balança do supermercado para medir”, assegura.

Maldonado afirma que recentemente desconfiou do peso indicado na embalagem de um frango resfriado, que na sua avaliação estaria sendo vendido com grande quantidade de água, e denunciou o fato ao Ipem. Segundo ele, o órgão autuou a empresa. “Além disso, eu não comprei mais o produto”, afirma.

Na opinião de Brizzi, o consumidor, de forma geral, tem se posicionado de forma mais exigente. “Nós temos percebido que o consumidor está mais atento. Mesmo porque a própria situação financeira leva a isso”, diz o diretor, destacando que o número de denúncias apresentadas ao órgão aumentou significativamente nos últimos anos.