“Mais uma vez, participo deste espaço cedido pelo Jornal da Cidade aos pescadores, para que possam contar suas histórias, suas conquistas, seus ‘peixes, é claro’, seus apuros e suas... bem, fatos que acontecem e muitos não acreditam.
O fato que vou contar, aconteceu bem perto, na lagoa do Sakai. Tarde de sol muito forte, eu e o Luiz Tokuara, resolvemos pescar na lagoa. Estávamos conversando ao lado da banca de jornal e revistas do seu Rogério, que cansado de ouvir tanta bobagem disse: ‘Vocês não têm o que fazer, porque não vão pescar?’ O Luiz olhou para mim e disse: ‘Sabe que é uma boa idéia?’ E em pouco tempo estávamos saindo para pescar na lagoa.
O Luiz, como sempre fazia, levou seu cachorro, um ‘chihuahua’ bem pequeno por sinal, com uns 20 centímetros de comprimento. Lá chegando, já ao entardecer, preparamos as varas, as iscas, sentamos ao lado de uma árvore, e eu fui o primeiro a jogar o anzol na água. Passado alguns minutos, nada, nem um beliscão.
O Luiz amarrou o cachorro ao seu lado, com uma corrente de três metros presa a um gancho de ferro enterrado no chão, e também jogou o anzol na água. Minutos depois, nada de peixe. Tirei o anzol e a isca tinha mudado de cor. O Luiz resolveu jogar quirera, quem sabe assim aparecia algum peixe. Mas ao levar o braço para jogar a quirera, aconteceu o imprevisto. O cachorro entrou na frente e foi jogado para dentro da água junto com a quirera, por ser leve e pequeno.
A corrente esticou, não foi longe, pois estava presa ao gancho no chão. O Luiz levantou-se rápido e segurou a corrente para puxar o cachorro para fora. Aí o susto! Ao puxar a corrente para salvar o cachorro, sentiu que alguma coisa puxava para dentro da lagoa. Pulamos na água, segurando na corrente, até o ponto onde deveria estar o cachorro. Mas para nossa surpresa, não era o cachorro que estava ali, e sim uma carpa, que passava na hora e abocanhou o cachorro quando caiu na água.
Como não conseguiu escapar, pois estava com o cachorro na barriga e com a corrente presa ao gancho, conseguimos com muito esforço retirar a carpa para o barranco.
Desesperado, o Luiz queria cortar a barriga do peixe, mas ficou com medo de machucar o cachorro. Por isso, juntamos as tralhas e voltamos. Fomos direto para a casa do Itikawa, que tinha uma sobrinha que estudava veterinária. Como num passe de mágica, ali mesmo na calçada, ela realizou uma pequena cirurgia. Com todo o cuidado, retirou o cachorro são e salvo da barriga da carpa. Imagina a alegria do Luiz ao ver seu cachorro vivo e abanando o toquinho do rabo?
Após passado o susto, pesamos a carpa que marcou 22,25 quilos. Durante a correria, o Itikawa tirou a foto, onde seguro a carpa, enquanto colocava-se no chão uma colcha para que a operação fosse feita.
Observem a foto e verão a corrente saindo da boca da carpa e a barriga com o cachorro dentro. É difícil de acreditar, mas a prova está aí, não estou contando história, mas sim um fato acontecido.
Agradeço a publicação, e ao Jornal da Cidade, pelo espaço dedicado a nós pescadores. Tenho outros fatos para contar. Mas fico com receio de escrever, são verdades difíceis de acreditar.”
Alvaro Scarço é pescador e contador de causos verídicos.