Quatro vereadores consultados ontem pelo Jornal da Cidade posicionaram-se contra a atuação das vans no transporte coletivo de Bauru, dividindo os passageiros com os ônibus.
Na opinião do vereador Paulo Agustinho (PPS), o serviço prestado atualmente pelas três empresas de ônibus é de qualidade e não há necessidade de complementos. “Eu acredito que para que esse serviço de boa qualidade continue sendo oferecido para a população é necessário a gente preservar as empresas de transporte coletivo”, diz.
Para o vereador, o ingresso de vans no sistema poderia causar corte de funcionários nas três empresas que atuam na cidade (Grande Bauru, Baurutrans e Cidade Sem Limites). “Além disso, pode trazer um caos do ponto de vista do tráfego”, completa.
O vereador João Parreira (PSDB) também afirma que é contrário à atuação de vans no município. “Nós temos um sistema de transporte em Bauru equilibrado, dentro da legalidade. Serviço público não pode ser clandestino”, defende. Para o vereador, o poder público tem que agir de forma enérgica na fiscalização e não permitir que vans atuem clandestinamente. “Isso não é uma cidade sem leis”, frisa.
Na avaliação do vereador Paulo Eduardo Martins Neto (PFL), o transporte de vans é um assunto polêmico que vem sendo discutido em vários municípios. “Esse é um problema nacional. Mas no caso de Bauru eu reconheço que as empresas (de ônibus) vem prestando um bom serviço à população”, opina. “Eu sou contra esse tipo de serviço sem legislação específica”, completa.
Para a vereadora Majô Jandreice (PC do B), a questão tem que ser avaliada e discutida com cautela. “Nós temos (demanda) de passageiros para incluir mais esse tipo de transporte? Isso vai baratear o transporte? Que custo teremos? Nós temos que avaliar o que isso (as vans) significa dentro do sistema municipal de transporte”, alerta a vereadora.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Bauru (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, que acompanhou a movimentação do grupo de vans ontem pela manhã, diz que o sistema de transporte comprometeria a manutenção dos empregos oferecidos pelas empresas de ônibus que hoje atuam na cidade.
Segundo estimativa do Sindtran, se dez vans começarem a circular em Bauru, cerca 100 vagas de trabalho podem ser fechadas nas empresas de ônibus. “Isso vai causar uma queda de passageiros no sistema de transporte coletivo em ônibus. As empresas de ônibus poderão, de acordo com a nossa avaliação, pedir uma redução de frota de, no mínimo, 30 carros. E isso colocaria, de imediato, 100 pais de família na rua”, projeta.
Além disso, na avaliação de Silva, também para o usuário o impacto seria negativo. “Serão 30 ônibus a menos circulando no sistema, que hoje cumprem horários independente de ter ou não passageiros. Já os clandestinos só rodam no horário que interessa a eles”, diz.