Ser feliz é o anseio natural de todo ser humano. Este desejo comum é a mola mestra que impulsiona as ações de bilhões de habitantes do nosso planeta. O que diferencia porém, entre todas as raças, não é o sentimento, mas onde se busca encontrá-lo. Desta maneira, alguns consomem seu tempo e suas energias trabalhando excessivamente com o objetivo de aumentar o seu lastro patrimonial. Outros buscam avidamente a fama através dos esportes, da carreira artística ou da política. Há ainda aqueles que procuram a felicidade ao satisfazerem seus apetites sexuais descompromissadamente. Isto sem se esquecer dos que fazem do desejo natural de comer, beber e de vestir como seu alvo máximo na vida. Pobres mortais!
Contudo, o que se percebe na prática é que, após conquistarem e saciarem estes anseios, logo percebem uma insatisfação ou frustração semelhante à que sentimos quando nos alimentamos de uma refeição pobre em nutrientes: embora o aroma e sabor sejam agradáveis, sentimo-nos enfraquecidos.
Nos EUA, apesar de que se creiam felizes, nos dez medicamentos mais usados no país, três são prescritos para depressão. Evidencia-se, dessa forma, o “vazio” existencial que percorre nas frias paredes de um país primeiro mundista com espírito industrializado.
Investir nos estudos a fim de propiciar uma carreira profissional rentável e, conseqüentemente, na satisfação de objetivos pessoais é necessário. Não obstante, não nos garante a credencial de ser feliz. Como então usufruí-la? Onde encontrá-la? “A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros”, assim expressou Baden Powell, ou ainda como definiu Stuart Clock: “Somente atingimos a felicidade fazendo os outros felizes”. Interessante observar que, conforme bem definiram ambos pensadores, a felicidade origina-se em conseqüência de se fazer primeiramente o outro feliz e somente aí, sentimo-nos felizes.
Percebe-se então, o porquê de tantas pessoas serem infelizes, vivendo à sombra do derrotismo e da apatia. É necessário urgentemente mudar o foco de suas buscas. Não basta ter um porquê, e sim um para quê. Para saciar este nobre desejo é imperativo investir no ser e não no ter: ser amigo, cordial, atencioso. É fundamental saber ouvir, praticar o bem, compartilhar o conhecimento, sentimentos. Precisamos aprender a amar verdadeiramente, perdoar, a buscar no próximo as qualidades e não as falhas.
É mister que nas escolas, os valores morais, éticos solidários não fiquem avizinhados aos conteúdos, mas que sejam uma constante do cotidiano escolar, perceptíveis na fala e, principalmente, na conduta dos educadores. Caso contrário, tudo não passará de letra morta.
“Há mais felicidade em dar do que em receber”, disse Jesus Cristo (Atos 20:35). Certamente, se aplicarmos estas sábias palavras do Mestre maior, a felicidade estará ao nosso alcance.
O autor, Clóvis Roberto Benedetti Lourenço, é educador.