08 de julho de 2026
Regional

HC de Botucatu volta ao normal na 2ª

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - O atendimento no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru) voltará ao normal na próxima segunda-feira. Em reunião ontem, os funcionários que estavam em greve desde o mês passado decidiram voltar ao trabalho e aceitar a reposição salarial proposta pelo governo do Estado, que é de 2% sobre o salário de maio e 2,14% em agosto.

Durante a paralisação, o Hospital da Clínicas (HC) reduziu o atendimento à população concentrando-se, principalmente, nos casos de urgência e emergência.

A queda maior no movimento de pacientes, segundo informou a assessoria de imprensa do hospital, ocorreu nos primeiros 15 dias da greve. Depois disso, o atendimento foi aumentando aos poucos até chegar quase à normalidade nos últimos dias.

Os números exibidos pelo hospital mostram que a perda de pacientes foi proporcionalmente pequena nos quase dois meses de greve. No mês de junho, por exemplo, foram feitas 2 mil consultas a menos do que o habitual.

Ao todo, foram 16 mil consultas de ambulatório no mês, contra 18 mil registradas na média do primeiro semestre de 2004.

No mesmo período (junho), foram abertos 1.105 prontuários novos. Enquanto a média dos cinco primeiros meses do ano, segundo a assessoria, foi de 1.500.

A queda maior foi registrada na realização de cirurgias. Foram 334 em junho, contra 555 na média semestral. Segundo a assessoria, a redução não ocorreu pela falta de médicos ou enfermeiros, mas foi um reflexo direto da paralisação de uma parte da lavanderia.

Sem a quantidade suficiente de aventais e lençóis limpos, os médicos mantiveram apenas as cirurgias inadiáveis. As demais devem ser reagendadas com o fim da greve.

Além dos funcionários da lavanderia, a adesão ao movimento grevista foi grande também entre o pessoal da manutenção e da nutrição, entre outras funções técnico-administrativas.

Tradicionalmente, as greves no HC não contam com grande apoio da equipe médica ou de enfermeiros. No caso específico dos médicos, se eles deixarem de atender correm o risco de serem acusados de omissão de socorro, segundo comentou a assessoria.

O HC de Botucatu é uma referência regional, onde cerca de 1.037 pessoas são consultadas todos os dias, e são feitos, em média, 3.500 exames diários e 7.422 sessões de hemodiálise a cada semestre.

Em entrevista a uma emissora de rádio da cidade, o vice-presidente da Associação dos Docentes, Sérgio Muller, orientou os pacientes, que tinham consulta agendadas e não foram atendidos em função da greve, a fazer novo contato com os ambulatórios para marcar uma nova data.

Outros câmpus

Enquanto o atendimento do HC e a volta às aulas na Unesp de Botucatu já estão definidas, em outros câmpus da região, como o de Marília, Araraquara e também de Bauru, o assunto será discutido hoje à tarde, em assembléia entre os servidores.

Em reunião com o Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), anteontem à noite, o Fórum das Seis, que reúne sindicatos das três universidades estaduais, exigiu que não haja punição contra os grevistas, demissões e nem descontos dos dias parados.

Foi exigido ainda que a reposição das aulas ocorra preservando o conteúdo das disciplinas, sem prejuízo aos alunos e professores.

A negociação prevê que o excedente da arrecadação estadual da verba destinada às universidades seja aplicado em janeiro aos salários, descontados os 2,14% adiantados em agosto. O reajuste final será de cerca de 6%.