09 de julho de 2026
Regional

Ajinomoto terá fábrica em Pederneiras

Márcia De Chiara - Agência Estado
| Tempo de leitura: 4 min

Pederneiras - O Brasil abocanhou quase 75% dos investimentos mundiais de US$ 199 milhões anunciados anteontem pelo grupo japonês Ajinomoto, líder na produção mundial de aminoácidos. Dos US$ 149 milhões que a filial brasileira vai receber, US$ 86 milhões serão gastos na construção de uma fábrica em Pederneiras (26 quilômetros a leste de Bauru).

A unidade entra em funcionamento em outubro de 2006 e vai fabricar lisina, um dos ingredientes chaves na produção de rações para avicultura e suinocultura, entre outros fins. A substância é sintetizada a partir do xarope da cana-de-açúcar e do açúcar.

O Brasil acabou ficando com US$ 149 milhões, a maior parte dos investimentos globais, por causa da alta competitividade na produção da cana-de-açúcar e pelo fato de ter mão-de-obra qualificada, explica o conselheiro administrativo da companhia, Julio Miyamoto.

O restante foi dividido entre China (US$ 27 milhões) e Estados Unidos (US$ 23 milhões). A filial brasileira disputou investimentos com a unidade da Tailândia, país que também tem uma forte produção de cana-de-açúcar. O insumo responde por mais de 50% do custo de produção do aminoácido.

Segundo Miyamoto, a fábrica de Pederneiras terá capacidade para produzir 53 mil toneladas anuais, que deverão render à companhia uma receita de US$ 130 milhões por ano. Serão contratados 130 trabalhadores.

O executivo observa que a produção é bem automatizada. A matriz japonesa detém a tecnologia da fermentação. Parte dos equipamentos usados no processo é nacional e parte importada.

Os outros US$ 63 milhões serão destinados à criação de uma linha de produção de aminoácidos voltados para indústria farmacêutica. A linha vai funcionar dentro da fábrica de Limeira, que produz o glutamato de sódio e toda a gama de produtos de varejo, como sucos em pó e temperos, entre outros.

A produção de aminoácidos para a indústria farmacêutica, em Limeira, começa no segundo semestre do ano que vem, com 4 mil toneladas por ano e cerca de 130 contratações. A receita anual prevista é de US$ 30 milhões. “São produtos de maior valor agregado”, diz Miyamoto. O foco são os grandes laboratórios farmacêuticos.

Com esses investimentos, a Ajinomoto do Brasil passa a ser a mais importante afiliada e o País o maior produtor de aminoácidos do mundo.

Exportação

Ambos os projetos estão voltados para exportação. No caso dos aminoácidos para a indústria farmacêutica, as exportações deverão responder por 90% das vendas. Na nova fábrica de Pederneiras, a totalidade da produção será exportada para os Estados Unidos e China.

Cerca de 70% do faturamento da companhia no País, que somou no ano passado US$ 288 milhões, veio da exportação. O investimento anunciado anteontem para o Brasil - o maior dos últimos 15 anos - não ocorreu em razão do mercado interno, que, segundo Miyamoto, começa a reagir.

O potencial de crescimento do mercado de aminiácidos, que cresce cerca de 10% ao ano, motivou os investimentos direcionados para o País em razão da logística e da disponibilidade de matéria-prima.

O grupo tem três fábricas no Brasil e está no País desde 1956. Emprega 1,2 mil pessoas e abriu a primeira fábrica em 1977. No mundo, fatura US$ 10 bilhões por ano em 23 países. Tem 105 fábricas, das quais 59 no Japão. O grupo emprega 30 mil trabalhadores.

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1.200 empregos

A construção do prédio que será ocupado pela Ajinomoto em Pederneiras vai gerar cerca de 1.200 empregos, segundo a empresa. O início dos trabalhos depende apenas de um sinal verde da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), que está avaliando o impacto ambiental que a obra eventualmente possa ocasionar. Depois de pronta, a fábrica deverá empregar cerca de 130 pessoas.

O primeiro contato entre empresa e prefeitura ocorreu há cerca de seis meses, de acordo com o prefeito Rubens Cury (PSDB).

Segundo ele, não houve doação de terreno. A área, de aproximadamente 60 alqueires, foi comprada pela Ajinomoto. O local escolhido fica próximo ao porto intermodal, mas a empresa não deverá utilizar a hidrovia como meio de transporte para seus produtos. O mais provável é que a produção seja escoada por ferrovia até o porto de Santos.

Na avaliação do prefeito, os recursos naturais e logísticos (ferrovia, rodovias e hidrovia) de Pederneiras teria sido decisivo na hora da empresa escolher onde investir US$ 86 milhões na construção da nova fábrica.

Cury afirmou ainda que não haverá nenhum incentivo fiscal para a empresa se instalar na cidade. (Adilson Camargo)