09 de julho de 2026
Esportes

Palmeiras pretende impedir Rogério de jogar no Sporting

(AE)
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São Paulo - O jogador Rogério, recém-transferido do Corinthians para o Sporting, de Portugal, corre o risco de ficar seis meses sem poder jogar oficialmente. Apesar do tom de urgência da decisão de anteontem da juíza Maria Aparecida Vieira Lavorini, titular da 26.ª Vara do Trabalho de São Paulo, que ordenou sua imediata reintegração ao Palmeiras, antes, porém, o atleta precisa ser notificado judicialmente e, como está no Exterior, o trâmite, via carta rogatória, demora, no mínimo, seis meses - período no qual só poderá fazer amistosos.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não liberou o atleta para jogar no Sporting e, segundo o assessor da Presidência do Palmeiras, Antonio Carlos Corcione, nem o poderá fazê-lo após a decisão da Justiça do Trabalho. De acordo com o assessor jurídico da CBF, Valed Perry, “para a entidade, Rogério é um jogador sem clube”. Perry diz ainda que nenhum pedido de liberação foi feito pelo Sporting e afirmou que a decisão judicial exigindo a reintegração do atleta ao Palmeiras não foi comunicada oficialmente à confederação.

Na prática, ocorrerá o seguinte nos próximos seis meses. E quem explica isso é Corcione, do Palmeiras: “Ele não pode jogar no time português porque não está liberado para isso. O Rogério, no máximo, vai ficar disputando amistosos”, disse.

O clube paulista, até nesse ponto, pretende dificultar a vida do ex-lateral-direito do time em Lisboa. “Já enviamos um comunicado ao Sporting informando-os que vamos pedir para sermos indenizados no caso de o atleta se machucar em alguns desses amistosos. Estamos defendendo nosso patrimônio.”

O empresário de Rogério, Jorge Baidek, teria dado informação diferente ontem a jornalistas portugueses. Um repórter ouviu de Baidek a afirmação de que a situação do atleta estaria totalmente regularizada com o Sporting e ele poderia sim jogar naturalmente. Baidek, a partir da tarde de ontem, deixou de atender seu telefone celular, mesmo procedimento adotado, durante todo o dia, pelo advogado brasileiro do jogador no caso, Heraldo Panhoca.

Caso se confirme a não inscrição do jogador no Sporting, Rogério terá de se acertar financeiramente com o Palmeiras antes de conseguir sua liberação. O valor pode ser definido com base em outro processo, iniciado há quatro anos e ainda sem decisão final, na Justiça Civil. Nele, o clube exige de Rogério e Corinthians uma indenização de R$ 8,64 milhões por perdas e danos pela suposta transferência irregular do atleta em setembro de 2000.

Para o advogado do Corinthians, Ivandro Sanchez, o clube já não tem mais nada a ver com o imbróglio judicial envolvendo o atleta. Segundo ele, a decisão da 26.ª Vara do Trabalho define que Rogério tem uma questão pendente única e exclusivamente com o Palmeiras. “Nosso vínculo com o jogador já foi rompido”, afirmou.

Sanchez lembra que terça-feira, dia 27, o mesmo Tribunal Regional do Trabalho intermediou um acordo entre o atleta e o Corinthians, num processo movido por Rogério, no qual ele pedia o pagamento de direitos de imagem e luvas atrasados e ainda sua liberação para atuar em outra equipe. Ontem, o clube fez o primeiro pagamento determinado pela Justiça, no valor de R$ 200 mil (serão ainda mais dez parcelas mensais de R$ 37 mil). “Conosco está tudo certo”, reiterou o advogado. (AE)