O aumento do preço do álcool nas usinas pode provocar, até o final da próxima semana, um reajuste em torno de 3% no valor do litro da gasolina vendida nos postos de combustíveis de Bauru. A projeção é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) no município, Sebastião Homero Gomes.
Segundo ele, as distribuidoras já estão negociando o litro da gasolina com reajuste de R$ 0,02 a R$ 0,03 em relação ao preço cobrado nas semanas anteriores. “Como o aumento foi pequeno, o dono do posto acaba absorvendo o valor para não gerar reclamações, mas se o álcool aumentar ainda mais na próxima semana, seremos obrigados a repassar a diferença”, prevê.
Gomes acredita que, nesse caso, o litro da gasolina comum pode atingir até R$ 2,15 nos postos que cobram em torno de R$ 2,09 pelo produto.
O álcool representa cerca de 25% da composição da gasolina vendida no País e os usineiros alegam que a safra de cana-de-açúcar paulista foi prejudicada pelas chuvas que caíram de abril a junho. “Nós, que somos do ramo, estamos perdidos porque os usineiros estão subindo o preço do álcool para as distribuidoras praticamente todos os dias”, argumenta Gomes.
O último reajuste da gasolina verificado em Bauru ocorreu em meados de junho, época em que a Petrobras promoveu um realinhamento de preços. Na ocasião, os postos passaram a cobrar em média 4,5% a mais pelo produto.
Álcool
Se o Sincopetro calcula ser difícil conter um novo reajuste da gasolina caso os usineiros continuem subindo seus preços, o mesmo pode ser dito em relação ao álcool vendido nas bombas. Segundo o presidente do sindicato, alguns postos já estão sendo obrigados a promover aumentos. “Não teve como segurar, porque o preço de custo estava praticamente igual ao de venda”, justifica.
Levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostra uma variação de 11% nas últimas duas semanas em relação ao preço do produto negociado pelas distribuidoras em Bauru, que saltou em média de R$ 0,699 para R$ 0,783. De acordo com Gomes, porém, nos últimos dias esse valor já chegou a R$ 0,90.
Ele lembra que no ano passado o litro do álcool vendido pelas distribuidoras saltou de R$ 0,50 para quase R$ 1,00, recuando algum tempo depois. “Agora, os usineiros dizem que querem chegar o preço de custo a R$ 1,00. Se conseguirem, o preço do produto vai acabar sendo de R$ 1,20 para o consumidor”, prevê.
Dados da ANP apontam que o preço médio do litro de álcool nos 93 postos de Bauru pesquisados pela agência durante a semana é R$ 0,969.