09 de julho de 2026
Geral

Unesp suspende greve; aulas seguem até fevereiro de 2005

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Funcionários e professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru decidiram em assembléia aceitar a proposta de reajuste salarial apresentada esta semana pelo Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) e suspender a greve. As aulas deverão ser retomadas nesta segunda-feira e o ano letivo deverá ser estendido até fevereiro de 2005.

De acordo com o presidente da Associação dos Docentes e Servidores da Unesp (Adunesp) e coordenador do Fórum das Seis, Milton Vieira do Prado Júnior, a negociação estabelece um reajuste salarial de 2% a partir do mês de maio, mais 2,14% a partir de agosto. “E a aplicação, em janeiro, da fórmula de política salarial apresentada pelo Cruesp descontando 2,14%, que deverá ser em torno de 5,7%”, comenta.

Além disso, o acordo estabelece que nenhuma punição será aplicada pelo exercício de greve (a menos que sejam comprovados excessos), que não haverá desconto pelos dias parados e que a reposição das aulas será feita preservando conteúdo e qualidade do ensino. Também fica estabelecida a realização periódica de reuniões com a Comissão Técnica e as reitorias.

“A primeira reunião será na segunda quinzena de agosto, quando discutiremos os demais pontos da pauta unificada: a expansão de vagas com contratação de professores e funcionários, a assistência estudantil e a reforma universitária”, comenta Prado Júnior.

A greve dos professores e funcionários da Unesp começou no dia 21 de maio, com a reivindicação de 16% em reposição salarial. Diante do impasse nas negociações, o Fórum das Seis baixou a solicitação para 9,41% e acabou concordando com o reajuste em três etapas.

Calendário

O diretor da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru, José Brás Barreto de Oliveira, informa que o calendário para reposição das aulas e para o segundo semestre deste ano deverá ser votado na próxima semana.

Segundo ele, a proposta inicial é de que as aulas sejam retomadas nesta segunda-feira e prossigam até 14 de setembro, quando haveria um recesso para o processamento das notas. O segundo semestre começaria em 27 de setembro e seguiria até 5 de fevereiro, com um recesso nas festas de final de ano.

“Fazendo assim, teríamos 204 dias letivos no ano e a exigência legal são 200 dias. Estaríamos atendendo à legislação e evitando prejuízo na execução do conteúdo programático dos cursos. Mas essa proposta ainda precisa ser aprovada pelas congregações”, salienta.

Oliveira ressalta que cada faculdade tem autonomia para definir seu próprio calendário, mas as diretorias da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), Faculdade de Ciências (FC) e Faculdade de Engenharia (FE) da Unesp de Bauru estudam a possibilidade de se seguir um calendário único para o câmpus.

Depois de quase 70 dias de paralisação, a maior parte dos alunos da Unesp voltou para suas cidades de origem, e muitos chegaram a temer a perda do semestre.

“Acho que para a maioria dos alunos é bom o término da greve, apesar de ainda persistir outro problema, que é a falta de estrutura (...) Claro que quero acabar o curso logo, já estou com o trabalho de conclusão praticamente pronto e agora é só seguir os prazos”, afirma a formanda do curso de jornalismo Vanessa Matos dos Santos.

“Eu, particularmente, preferia que a greve continuasse, porque tenho vários trabalhos pendentes e não tive muito tempo de me organizar (...) Acho que ter o segundo semestre comprometido até o ano que vem não muda muito, a não ser para quem tem pressa em se formar”, pondera Márcio Satoshi Myamoto, aluno do curso de sistema de informação.