Sem dúvida alguma, necessitamos de uma reforma administrativa urgente no serviço público, sob pena de dar continuidade ao marasmo e à incompetência que vivenciamos nestes últimos anos em nossa cidade, politicamente falando, é claro, já que é certo e verdadeiro que existem pessoas de alto nível em nossa sociedade como um todo. A mediocracia, ao pé da letra, quer dizer: governo dos medíocres. Nesse paradigma de governo, mudanças nem pensar e mais: laboram no terreno pessoal, ao contrário, deveriam sulcar no terreno impessoal. Discutindo idéias e evoluindo os conhecimentos. Os administradores que possuem tais prerrogativas são adversários difíceis de enfrentar, pois eles fogem da publicidade e manobram somente em segredo e no silêncio da cabala, contrariando, inclusive, a essência do regime democrático. O medo que têm das idéias, o recuo diante da tentação da utopia, nasce e sobrevive do silêncio profundo em que atravessam como sombras. Até hoje ninguém descreveu melhor um mediocrata do que Ruy Barbosa ao tecer, jocosa e ferinamente, o perfil de Floriano Peixoto - “Marechal de Ferro” da nascente República brasileira - dessa forma: “Há um gênero de ambição inerte e retraída como certos répteis, que se enroscam na obscuridade, à espreita da ocasião que lhes passe ao alcance do bote. Os indivíduos dessa família moral, silenciosos, escorregadios e traiçoeiros, passam às vezes a maior parte da existência quase ignorados, até que a oportunidade fatal os favoreça. Então, o instinto originário lhes desperta as faculdades dormentes, a espinha desentorpecida coleia-lhes sob as descargas de um fluido sutil e vêem-se esses preguiçosos, esses flácidos, esses sonolentos, desenvolver inesperadamente a distensibilidade, a flexibilidade e a tenacidade das serpentes constritoras”. (Ruy Barbosa - descrição de Floriano Peixoto - citado por Luís Viana Filho, em “A vida de Ruy Barbosa”, página 243). Caros amigos leitores desse importante veículo de comunicação da nossa cidade, o mediocrata desponta como um sujeito bonzinho, sorridente, popular, enfim, amigo de todos. “Ele chama o interlocutor pelo nome, depois do terceiro encontro suas frases começam como meu amigo, sempre elogia alguma coisa que a pessoa fez recentemente”. (como traz a Veja, “Aventuras de um Bode Expiatório” - descrição de PC Farias - 3/7/96, página 48). Tomemos muito cuidado ao escolher os futuros representantes do povo. (Vanderlei A. Tomiati - RG 18.682.530-4)