Na opinião do médico sanitarista Carlos Alberto Macharelli, a situação da leishmaniose só será amenizada na cidade a partir do momento em que não houver lixo espalhado por ruas e terrenos baldios.
“Só o comportamento adequado das pessoas diminuiria bastante os casos. Acho que seriam necessários cursos educativos. À medida em que se faz o controle de resíduos sólidos, acaba havendo o controle dessas doenças”, afirma o especialista.
Macharelli enfatiza que, além da leishmaniose, o lixo é responsável pela propagação de outras doenças. “São as doenças transmitidas por vetores biológicos através de moscas, baratas, roedores e mosquitos. O processo de transmissão é agravado com o lixo. Por exemplo, a dengue e a leishmaniose são transmitidas por mosquito. Ratos transmitem leishmaniose”, explica.
O médico sanitarista enfatiza que separar material reciclável de lixo orgânico em casa é uma forma de contribuir para a redução de doenças. “Além disso, a coleta comum tem de ter boa qualidade para que a pessoa não acumule material orgânico em casa”, expõe.
Macharelli resume tudo com a palavra organização. “Aqui em Bauru tem verdadeiros depósitos de recicláveis em casas. Isso é uma coisa muito prejudicial. Você pode mantê-las no quintal, desde que de maneira organizada: garrafas plásticas de boca para baixo, etc. Se elas forem colocadas de boca para cima, haveria grande chance de procriação de mosquitos”, frisa.
Ele cita mais exemplos. “Tem gente que mantém latas velhas em casa. É necessário promover cursos para explicar que não é proibido manter coisas em casa. Se for de forma organizada, tudo bem”, diz.
Macharelli destaca que lixo não deve ser jogado em terrenos baldios e não deve ser enterrado (para não prejudicar o lençol freático). O destino adequado é a coleta feita pelo poder público e, posteriormente, o aterro sanitário.
“Além disso, não adianta somente discutir o lixo. É necessário ensinar as pessoas a cuidar das plantas em casa para não acumular água nos vasos, por exemplo. A leishmaniose tem o agravante de que o mosquito se prolifera em qualquer tipo de água - parada, suja, limpa”, salienta o médico sanitarista.