08 de julho de 2026
Geral

Sistema analisará digitais incompletas

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com o titular da assistência policial da Divisão de Tecnologia de Informação do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), André Dahmer, além da informatização dos bancos de dados da instituição, uma nova tecnologia será utilizada para a identificação de suspeitos em crimes com autoria desconhecida. O Afis (Automatic Fingerprint Identification System ou Sistema de Identificação Automática de Impressões Digitais) tem a capacidade de analisar impressões mesmo incompletas ou colhidas em superfícies irregulares - até mesmo em pele humana - e compará-las com impressões já registradas.

“Um criminoso será identificado com mais facilidade, pois os dados incompletos colhidos num local de crime poderão ser agrupados e indicar um suspeito”, prevê Dahmer.

Segundo o diretor do Dipol, Massilon José Bernardes Filho, tecnologias para identificação de digitais incompletas já são utilizadas desde a década de 1970, porém, o Afis é inovador na velocidade e na quantidade de dados que trabalha para apresentar conclusões. “Hoje, já existem tecnologias de identificação pela íris do olho, mas muitas coisas não funcionam ou não têm utilidade para a polícia. Estamos comprando uma série de equipamentos de captação de voz e imagem que serão de muita utilidade. Não adianta comprar tudo o que há de novo, mas sim os instrumentos que sabemos o que vão nos oferecer”, argumenta.

O diretor do Dipol aponta que os equipamentos para escuta receberam grande evolução nos últimos anos e têm se mostrado de grande utilidade para as investigações policiais, principalmente em casos de contrabando e entorpecentes. “Temos uma legislação que regula a escuta e a escuta telefônica, mas é uma pena que essa tecnologia é prostituída e mal utilizada pelas pessoas. Este é um instrumento poderoso da polícia, que mudou a qualidade das investigações. Hoje, você deixa de fazer um flagrante para desbaratar toda uma organização, somente obtendo informações com escuta”, afirma.

Ele completa que a polícia vem se deparando cada vez mais com crimes de alta tecnologia, cometidos por pessoas que possuem conhecimento e recursos semelhantes ou melhores do que a Polícia Civil. “Essa investigação da Kroll (empresa contratada pela Brasil Telecom para investigar a Telecom Itália), é criminosa, pois eles roubaram até e-mails e dados privados. E a investigação da polícia também mudou de patamar. É inegável que, se você tem pessoas usando tecnologias para não deixar rastros, nós temos de estar preparados para agir com criminosos deste tipo, em todos os níveis”, ressalta.

Reorganização

O Programa de Modernização Tecnológica da Polícia Civil do Estado de São Paulo vem sendo promovido pelo governo estadual por conta da reabertura do serviço de inteligência da instituição. O titular da assistência policial da Divisão de Tecnologia de Informação do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), André Dahmer, relembra que o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), que era responsável pelo setor de inteligência das polícias e pela organização das informações, foi extinto em 1983, após atuação violenta durante os anos da Ditadura Militar.

“Até 2002, não existia mais e o serviço de inteligência era visto com maus olhos. Mas depois de 20 anos, o governador entendeu a importância de se criar novamente um departamento de inteligência”, relata.

O Dipol atualmente é dividido em três setores: Inteligência, Contra-Inteligência e Operação de Inteligência. De acordo com Dahmer, eles são responsáveis, respectivamente, pela coleta e análise de dados, apoio ao sistema do departamento e busca de informações não disponíveis com ações em campo.