07 de julho de 2026
Bairros

Estrada afora

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 6 min

Em meio a milhares de carros e motocicletas pelas ruas da cidade, eles passam incólumes, protegidos pelo vidro dos veículos ou sob capacetes. Mas basta entrarem nas pistas, em meio a campeonatos altamente competitivos, para imprimir talento e garra bauruenses no rastro das arrancadas.

Esse time que faz de Bauru referência em esportes é composto por Aírton Daré Jr., Glauco Alex Vinokuro-vas, Marcel Cardoso e o estreante Adalberto Gonçalves de Oliveira, respectivamente pilotos de stock car, kart, motocross e motovelocidade.

A cada corrida, eles levam o nome de Bauru para outras partes do Estado ou do País e sabem dessa responsabilidade. “É daqui que vim, por isso tenho a preocupação em sempre divulgar bem o nome da cidade”, afirma Aírton Daré Jr., atualmente 20.º colocado na categoria V8 do Campeonato Stock Car Brasil, um dos mais disputados do País.

Por causa disso, o piloto não pensou duas vezes em colar um adesivo escrito "Bauru" no carro com que disputou a primeira corrida nos Estados Unidos, em 1997, no campeonato Indy Lights. Em sete anos naquele país, sempre fez questão de citar sua origem e, quando possível, passar os finais de semana de descanso na cidade ou trazer amigos pilotos para conhecer o município.

De volta ao Brasil em 2003, depois de sete anos correndo nos EUA (ultimamente no Indy Racing League - IRL), Daré Jr. iniciou investimentos no setor de automobilismo na cidade e entrou para o time da Stock Car, em cuja última etapa pôde mostrar que vai virar o jogo da classificação.

“Em São Paulo, fizemos uma revisão no carro, ajustando-o melhor. Lá também pude mostrar que estou mais acostumado a ele, que é mais pesado e lento que os da Indy, e fiquei em quarto lugar nos treinos iniciais. Apesar de ter corrido apenas oito voltas por causa de uma batida, melhorei meu desempenho, mantendo constância entre os dez primeiros colocados. A tendência, agora, é correr cada vez melhor.”

Expectativas positivas também tem Glauco Alex, líder do Campeonato Paulista de Kart da categoria Sênior A, após vencer a sexta etapa da disputa no mês passado, ele vive boa fase entre os fãs e a nova safra de pilotos.

“Por ter muito tempo no esporte, as pessoas me reconhecem, outros pilotos novos dizem se espelhar em mim, o que indica respeito e confiança no meu trabalho. Tudo isso me deixa feliz e mostra que estou no caminho certo”, afirma Alex, cujo primeiro contato com o kart foi aos 10 anos de idade. Além do kart, por meio do qual acumula vitórias, o piloto correu na Inglaterra e nos Estados Unidos entre os anos de 90 e 94. Depois de conquistar campeonatos no Exterior, ficou cinco anos parado, formou-se em administração, até que a paixão pela velocidade falou mais forte.

Reconhecido numa arquibancada, de onde assistia uma corrida de kart, foi convidado a retornar como piloto oficial da equipe Kart Mini, aceitou e desde então fortalece-se ano após ano como esportista exemplar. “Estou numa fase muito tranqüila. Dirigir um kart é o que mais gosto de fazer, apesar de todo estresse físico que gera”, conta.

Por essa razão, tem ensinado jovens pilotos a guiar o monoposto e insistido com empresários bauru-enses em investir no esporte. “Bauru poderia ter mais talentos se o empresariado patrocinasse esses esportistas e enxergasse o esporte como negócio. Por isso, considero importante sempre citar a cidade, para dar visibilidade”, comenta.

Piloto profissional há 16 anos, Marcel Cardoso, campeão paulista de motocross categoria 250 cc por antecipação, é outro piloto que considera importante estimular a prática de seu esporte na cidade. Por essa razão, não tem medido esforços para trazer a última fase do campeonato para Bauru, em setembro.

“O Campeonato Paulista de Motocross é superdivul-gado, com média de 15 mil pessoas por etapa. Por isso, quero trazê-lo para Bauru, o que significa também levar o nome da cidade e imprimir algo de positivo aqui, fazendo as pessoas se envolverem”, aposta.

Por ter orgulho de ser bauruense, Cardoso tem utilizado sua experiência na área de direção defensiva, a fim de reverter os números que envolvem acidentes motociclís-ticos locais - somente nos quatro primeiros meses de 2004, de acordo com matéria veiculada recentemente pelo JC, cinco motociclistas morreram no trânsito bauruense; o número é superior ao registrado em 2001 e 2002 e se aproxima dos índices de 2003 (seis mortes).

“Estou nos preparativos finais de um curso de pilotagem para motociclistas, que será oferecido gratuitamente a cada 15 dias. Vamos mostrar, por meio de regras básicas, que não há necessidade de se correr com moto por aí, porque o veículo é ágil por natureza.”

Opinião semelhante tem o piloto de motovelocidade Adalberto Gonçalves de Oliveira, que até o ano passado corria amadoramente nas pistas de terra e asfalto localizadas ao redor da cidade. A perda de um amigo em acidente, quando retornava de moto de Ribeirão Preto, o fez buscar a profissionalização.

“Nas pistas profissionais, uso equipamentos que mais parecem uma armadura. Com segurança em primeiro lugar, a adrenalina é muito maior do que correr na loucura. A estrutura e os treinos também me permitem melhorar a cada etapa”, diz Oliveira.

A meta de se tornar exemplo de correr velozmente com segurança já rendeu vários frutos: a nona colocação no Campeonato Brasileiro de Motovelocidade categoria 500 cc e o respeito dos fãs da velocidade.“Antes, considerava o projeto difícil, mas a experiência e os resultados têm mostrado que é possível. Quero me profissionlizar cada vez mais, investindo numa equipe para o campeonato de 2005 e divulgando mais e melhor o nome de Bauru”, afirma.

Referência em infra-estrutura

Inaugurado há menos de um mês em Bauru, o kartódromo Toca da Coruja já é referência nacional em kart, atraindo esportistas e aficionados de várias regiões do Estado de São Paulo, do norte do Paraná e até Mato Grosso.

A informação é do piloto de stock kar Aírton Daré Jr., que idealizou e construiu o espaço juntamente com seu tio Jair Daré. O projeto contou ainda com um grande número de colaboradores, o que incluiu empresas locais, nacionais e multinacionais. “A receptividade tem sido melhor do que esperávamos, a ponto do aluguel de kart ter de ser agendado com antecedência”, afirma.

Além do aluguel de kart (disponível de quinta-feira a domingo, após às 18h, com valores iniciais de R$ 30,00), é possível encontrar no local kart shop, arquibancada para 3 mil pessoas, lanchonete e restaurante. A partir de setembro, o kartódromo tem grandes chances de contar com pista de motocross. Em 2005, há planos de construir uma pista de velocidade na terra.

Os dois projetos ampliarão ainda mais as atividades do conjunto esportivo, construído em área de 200 mil metros quadrados e cuja pista principal oferece vários tipos de circuito, de baixa a altíssima velocidade. A infra-estrutura inclui sistema de iluminação que permite a realização de corridas noturnas.

Depois das corridas inaugurais, o Toca da Coruja retoma o Campeonato Centro-Oeste Paulista de Kart em 22 de agosto, com inúmeras categorias. A expectativa é superar as 65 inscrições da primeira etapa, revelando ainda mais talentos.

“Para o Interior, o número é expressivo, mas baseado na procura pelo kartódromo e o público da inauguração, que superou 6 mil pessoas, acreditamos que a tendência é atrair ainda mais gente”, prevê o piloto de kart Glauco Alex Vinokurovas, parceiro do projeto. “Estamos levantando a região”, comemora Daré Jr.