10 de julho de 2026
Política

Candidatos têm debate cordial no primeiro confronto na TV

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Os oito candidatos a prefeito de Bauru estiveram lado a lado, por mais de três horas, no primeiro debate de televisão da campanha, no sábado à noite, sem ataques pessoais. O debate organizado pela TV Preve foi marcado pela cordialidade entre os participantes e a tentativa dos candidatos de demonstrar conhecimento dos problemas da cidade. As alfinetadas ficaram no campo político e, ainda assim, em tom ameno. A administração Nilson Costa sofreu as principais críticas durante todo o evento.

Dividido em cinco blocos, em apenas um deles os candidatos tiveram a oportunidade de confrontar propostas e opiniões entre si. Em outros dois, as perguntas foram dirigidas por convidados. No primeiro e no último, os prefeitáveis foram convocados para a apresentação pessoal e a proposta de governo.

O primeiro bloco do programa serviu às apresentações pessoais. Estela Almagro (PT) citou que nasceu em Bauru e aqui teve dois filhos. Falou no resgate da auto-estima da cidade e pediu oportunidade para que uma mulher assuma o poder. Sandro Fernandes (PSTU) lembrou de sua trajetória como advogado no movimento sindical e pregou transformações sociais, avaliando que seu partido é a única alternativa de esquerda socialista.

Mas a professora estadual Maria Cristina Romão (PCO) falou logo em seguida, para também se posicionar como representante da ruptura com o atual regime político neoliberal. Criticou o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a submissão do País ao capital financeiro internacional e o governo Lula (PT).

Clodoaldo Gazzetta (PV) iniciou pedindo desculpa ao telespectador e avisou que não seria um produto eleitoral, mas uma proposta de mudança. Defendeu a quebra do modelo centralizador de governo que, segundo ele, vem sendo repetido pelos últimos 30 anos na cidade.

Antonio Sérgio Marsola (PPS) falou que a cidade é viável e que está preparado para atacar os problemas em função de sua experiência na carreira militar e como chefe de Gabinete da prefeitura no governo atual. Caio Coube (PSDB) também informou que é bauruense, casado na cidade, com dois filhos, formação profissional na Fundação Getulio Vargas (FGV) e carreira como executivo da Tilibra, além de ter sido dirigente de futebol do Noroeste. Defendeu que a política local seja oxigenada com renovação.

Luiz Carlos Valle (PSB) lembrou que foi vereador por 16 anos e presidente da Câmara, teve quatro filhos na cidade, estudou na escola Ernesto Monte e tem experiência com engenharia civil, tendo atuado em obras como o Metrô de São Paulo. Disse que tem estudado o orçamento municipal, se preparado para administrar a cidade a fim de apresentar um plano de governo viável, sem promessas de difícil execução.

Sem ataques

O governo Nilson Costa não foi poupado durante o debate mediado pelo jornalista Samuel Ferro e que teve como entrevistadores convidados o professor Duda Trevizani e o gerente de produtos editoriais do JC, João Jabbour.

O atual governo sofreu críticas em relação ao descontrole financeiro, a incapacidade de articulação, a fragilidade política, a lentidão administrativa e a falta de ação em diversas áreas.

Mas entre os debatedores, a cordialidade chegou a tal ponto de dois prefeitáveis emprestarem gravatas de membros de outros partidos. Clodoaldo Gazzetta se apresentou com a gravata do chefe de Gabinete da prefeitura, Luis Freitas (PPS). Já Tuga Angerami (PDT) emprestou de Antonio Pedroso Júnior (PSB).

Entre o segundo e o quarto blocos, os prefeitáveis falaram sobre as dificuldades financeiras da prefeitura e a já conhecida limitação de investimentos com recursos próprios. Sandro Fernandes reforçou sua proposta de estatização de serviços públicos, como no transporte coletivo. Gazzetta voltou a pontuar sobre a priorização da recuperação dos fundos de vale com o tratamento de esgoto.

Marsola optou pela estratégia de não colar seu nome no governo Nilson Costa, do qual participou durante os últimos anos. Falou, de forma genérica, em aproveitar o lado bom do governo mas impondo seu estilo, batizando de choque de comando. Maria Cristina bateu na tecla da inversão de prioridades, defendendo os trabalhadores com ações na periferia.

Tuga Angerami citou que vai trabalhar pela reorganização das representações populares e que o papel de prefeito exige postura de negociação e a busca de apoios políticos, como a do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB). Estela Almagro defendeu a recuperação da usina de asfalto e a qualificação de mão-de-obra quando tratou do programa de pavimentação.

Valle ressaltou que, sem capacidade de composição política e agrupamento das forças locais, não há como administrar a cidade. Apresentou proposta de plano de cargos e salários específica para as áreas de saúde e educação e a implementação do estatuto do magistério.

Caio Coube repetiu que as dificuldades financeiras vão exigir medidas saneadoras, classificando de choque de gestão ações como a implantação do governo eletrônico para compras, eficiência, treinamento e cortes de cargos de confiança.