Afirmando, entre outras verdades incontestáveis, que cerca de 30 por cento da atividade econômica do País se revela inadimplente, que a elevação da taxa de juros nominais fez com que o nível de endividamento de milhares de empresas duplicasse nos últimos anos e que perto de 25 por cento das categorias produtivas estão em perceptível recessão, o conceito dos doutos economistas vem de traçar um esboço do quadro de falência que está tomando conta da economia nacional. O painel não se desmente, uma vez que salta aos olhos de todos, mesmo na escuridão da noite, o receável desmantelamento em meio ao qual milhões de assalariados não estão em condições de manter seus parcos padrões de vida familiar, porque os reajustes de vencimentos são sempre inferiores aos índices inflacionários, solapando então o poder aquisitivo de quantos vivam com proventos descontrolados. Confirma-se a veracidade do esboço, mas se tem de acrescentar que não é a falência de tantas empresas um produto iniciado recentemente, pois teve o seu alvorecer a partir do momento em que o próprio Governo também entrou na inadimplência, minimizando o pagamento da dívida externa e de várias outras de sua inteira responsabilidade. Eclodia aí o emaranhado não observado, infelizmente, por aqueles que ainda estejam com a viseira indiferente ao desabrochar da sementeira de cravos fúnebres plantada no jardim da Pátria por plantadores inábeis, instalados no comando dos nossos assuntos econômicos, os quais, então, rodam desmioladamente nos caminhos. A deterioração ganhou proporções que vão se eternizando equivalentemente à velocidade do tempo, minando o débil organismo de quase todos os seguimentos da sociedade que, atônita, pergunta, sem a devida resposta, até quando existirá esse terrível círculo vicioso de incansável majoração do custo de vida. Ressalta na viseira de todos que enquanto a administração nacional se mantiver na postura de “chove-não-molha”, tentando dinamitar nuvens distantes supondo que as chuvas sejam suficientes para abastar a gregos e troianos e, a partir daí, suavizar os destemperos da economia, a sociedade prosseguirá entre a cruz e a espada, sem possibilidade de recompor a sua vida, outrora risonha e franca. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC.
Agradecemos ao poeta Antônio Rufato o valioso presente de um exemplar de seu livro de poesias e sonetos “Acalento”, com obras de fina inspiração, como todas que surgem de sua privilegiada pena.