O candidato a vice-prefeito pelo PCO, Osmar Brito, defende que a Prefeitura de Bauru não pague mais os credores da dívida municipal, avaliada em cerca de R$ 170 milhões. Ele compõe a chapa majoritária encabeçada por Maria Cristina Romão da Silva, que não pôde comparecer à redação do Jornal da Cidade para ser entrevistada.
Brito acha injusto o uso do termo “calote”. Ele avalia que os trabalhadores não foram os responsáveis pelos empréstimos que endividaram o município, que segundo o candidato esfolam o caixa da prefeitura em cerca de R$ 2 milhões mensais. “Os trabalhadores não participaram dessa dívida, não assinaram nada. E quem não assina, não dá calote”, argumenta.
Com a sobra mensal, Brito defende investimentos em setores básicos da estrutura municipal, como saúde, educação e saneamento básico. “Não podemos ter em Bauru surtos de leishmaniose e de dengue. Nosso sistema de saúde não funciona. Os núcleos de saúde existentes estão sendo fechados. Tudo isso é um absurdo porque a população paga impostos e não tem retorno”, justifica.
O candidato a vice-prefeito diz que vai articular a instalação de um comitê para alavancar o debate de sua sugestão junto à opinião pública. “Pretendemos, mesmo após as eleições, dar continuidade de funcionamento a esse comitê de luta contra o pagamento da dívida pública municipal, independente de quem seja o vencedor para a prefeitura”, propõe.
Brito explica que a proposta visa agregar no comitê representantes de entidades sindicais, estudantis, de movimentos populares. “Enfim, todos aqueles que estão descontentes com os rumos dados à administração pública”, diz.
Ele lembra que alguns candidatos que disputam a prefeitura afirmam que a dívida é administrável através da dilatação do prazo. “Se nem mesmo São Paulo e Rio de Janeiro, que são dois grandes municípios de influência política, não conseguiram esticar a dívida, o que será de Bauru”, questiona.
Para o representante do PCO, o município não sofrerá conseqüências drásticas com o rompimento do pagamento da dívida. “Bauru já não consegue mais créditos. Veja que recentemente a Caixa Econômica Federal (CEF) negou empréstimo para as obras do tratamento de esgoto. A prefeitura está muito endividada”, reforça.
Além dessa proposta, o PCO também vai fomentar o debate com o eleitorado de temas nacionais. “Queremos discutir e lutar contra as reformas propostas pelo governo Lula, dentre as quais a trabalhista, a sindical, a universitária. Vamos defender um salário mínimo de R$ 1.500,00 porque entendemos que esse valor é o mínimo suficiente para uma família sobreviver.”
Na avaliação dele, não é absurdo deixar de pagar uma dívida de R$ 170 milhões se for considerado o que devem os três maiores bancos privados do País (Bradesco, Itaú e Unibanco) à Previdência Social. “A dívida dos três juntos é de mais de R$ 1 bilhão”, informa.
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Fim do Capitalismo
O Partido da Causa Operária se define como um partido operário porque escreve em seu programa que a satisfação das aspirações básicas dos explorados exige o fim do sistema capitalista e porque declara como inevitável a abolição da propriedade privada dos meios de produção.
O PCO propõe a união de todas as organizações dos oprimidos numa frente única, por um “governo das organizações dos explorados da cidade de do campo”. Declara que a luta operária é internacional. Mas não considera como operários nem a “aristocracia operária dos países imperialistas nem a burocracia dos países autodenominados comunistas”.
Na lista de partidos comunistas de doutrina russa, o PCO se enquadra na linha trotskista. Leon Trotski foi um dos principais articuladores da Revolução Russa, em 1917. Após se desentender com Joseph Stalin (que comandou a Rússia de 1924 a 1953), Trotski se exilou no México em 1929. Mesmo assim continuou escrevendo artigos contra Stalin, que não exitou em mandar assassiná-lo, o que ocorreu em agosto de 1940.