08 de julho de 2026
Regional

Pesquisas confirmam que a nova doença da laranja é o greening

Por Cristiane Gercina (Tribuna Impressa) | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

Araraquara - O Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) confirmou, na segunda-feira passada, que a nova doença encontrada nos pomares de laranja do Estado de São Paulo é mesmo uma variação do greening asiático. A doença foi batizada cientificamente como Candidatus Liberibacter americanus, ou, greening americano.

O greening foi descoberto em março, em uma fazenda localizada entre Araraquara e Matão. A doença já atinge milhares de pés em mais de onze municípios de toda a região.

A doença afeta plantas cítricas em várias partes do mundo. O agente que provoca a doença é uma bactéria restrita ao floema (sistema vascular responsável pela condução da seiva na planta) e se apresenta em duas formas diferentes: a asiática (Candidatus Liberibacter asiaticus) e a africana (Candidatus Liberibacter africanus).

Segundo o pesquisador e secretário Executivo do Fundecitrus, Nelson Gimenes, é possível dizer que há dois tipos de greening no Estado, o asiático, descoberto pelo Centro de Citricultura de Cordeirópolis, e o americano, estudado pelo Fundecitrus.

Ele conta que as pesquisas vão continuar porque ainda há muitas perguntas para serem respondidas, como a real resistência dessa bactéria e as melhores formas de combatê-la. “Na realidade, o batismo da doença é mais uma formalidade, pois os estudos continuam”.

O fato da nova praga ser uma variação do greening asiático é algo preocupante, na opinião do pesquisador, pois isso significa que ela é uma bactéria mais resistente. “A asiática vai bem em todas as temperaturas”. De acordo com ele, isso pode fazer com que seja mais difícil o combate.

Cuidados

Enquanto não se descobre os meios de combate da praga, o pesquisador recomenda os cuidados habituais: eliminação de todos os pés doentes; controle de mudas, com compras sempre de culturas em viveiros telados; e inseticida sistêmico, para combater o vetor transmissor, o mosquito diaphorina citri, que é um inseto pequeno, pouco maior que o pulgão.

Câmara Setorial

A confirmação da doença deverá ser tratada na próxima reunião da Câmara Setorial deste mês, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Citricultores (Associtrus), Flávio de Carvalho Pinto Viegas.

Para ele, o surgimento da nova doença é muito preocupante, principalmente porque há poucas informações sobre a praga. “Não sabemos muita coisa, o Fundecitrus é uma entidade muito fechada.”

Viegas avalia que há uma grande tendência de expansão das doenças dos citros, já que os produtores estão desestimulados e sem recursos financeiros para maiores cuidados com pomares. “Os preços da laranja aos produtores podem acabar com o setor muito antes de qualquer praga”, sentencia.