25 de maio de 2026
Tribuna do Leitor

Saudades de um Brasil


| Tempo de leitura: 3 min

Não basta ser pobre, metalúrgico e nordestino para querer resolver os problemas da nação na base da esperança. Algumas frases de Lulalá são, realmente, memoráveis: “Nunca mais no Brasil família alguma vai passar fome”, “vocês vão ver um crescimento econômico como nunca visto na história do Brasil”, “vamos criar mais de 10 milhões de empregos”, “vamos fazer o melhor governo que esse país já viu”. Mas, fanfarronice à parte, o efeito virtual delas não pode ser realizado nem mesmo por George Lucas, com toda sua tecnologia e parafernália Hollywoodana.

Entretanto, algumas outras também se destacaram, revelando a verdadeira face de Lula, como as que responderam aos problemas havidos com nos casos de corrupção envolvendo o atual presidente do BC, o episódio Waldomiro Diniz & José Dirceu, o prefeito Celso Daniel, a ministra Benedita da Silva e o ministro Anderson Adauto: “Para mim é caso encerrado”.

Depois disso tudo, lá vem o Lulalá com mais uma de suas frases cheia de efeitos especiais: “Vamos resgatar a auto-estima do brasileiro em proporções inéditas”. Para isso, o governo federal está divulgando campanhas com os dramas de duas celebridades nacionais para estimular o “Eu amo meuBrasil”. Sinceramente, a superação do drama pessoal é mérito das vítimas enfocadas nas campanhas, e não do brasileiro.

Além disso, é impossível elevar a auto-estima vendo o rotineiro descaso com a segurança, a bancarrota da educação e a falência do sistema de saúde; é impossível ter auto-estima vendo Maluf sorrindo, vendo os fiscais e administradores públicos conseguirem habeas corpus, vendo bilhões escoando pelo ralo e pelas contas CC5; é impossível elevar a auto-estima vendo que quanto mais o político se corrompe, mais longe ele consegue ir; é impossível ver tantas off-shore no exterior movimentando dinheiro público e nada, absolutamente nada, ser feito pelos governos locais para impedir; não dá para ter auto-estima vendo o senador Luis Otávio (processado por um escândalo na Sudam) ser indicado para o TCU, ou o deputado Jader Barbalho sorrindo impunemente; como manter auto-estima vendo José Sarney e sua filha Roseana aliados do Planalto, apesar do caso Lunus?

Que auto-estima supera ver desvios de verba para merenda e material escolar, projetos sociais e trabalhistas? É possível ter auto-estima sabendo que 21.000 (!!!) cargos em comissão não foram suficientes para saciar a fome do PT, “exigindo” a criação de mais 3.500 logo no início do governo?

Os partidos que sempre fizeram parte do governo já mostraram que não são capazes de governar com competência, seriedade e, principalmente, honestidade; os partidos menores, que não governam, mas que estão sempre em busca das migalhas, também; e, se o PT, que (mais uma frase do Lula) disse que estava há “20 anos se preparando para governar”, mostra que não é capaz de nada, resta-nos apenas a certeza de que estamos no caminho errado da dita “democracia”.

Sinceramente, sinto mais saudades do meu tempo de jovem, quando todos cantavam o Hino Nacional, perfilavam antes de entrar em sala de aula e os professores exigiam respeito e disciplina (e eram atendidos!). Muito, mas muito mais saudades do período que os políticos temiam ser flagrados em algum esquema de corrupção, pois isso significava o afastamento sumário dos quadros do legislativo, ao contrário do que acontece hoje, quando fazem chacota e ironizam.

Sinto saudades de uma época sem seqüestros, sem balas perdidas, sem governo paralelo do tráfico de drogas, onde o Estado se fazia presente e respeitado. Saudades de quando cantava “meu coração é verde, amarelo, branco azul anil” e amarava fitinhas coloridas na antena do carro, sem que o presidente precisasse contar bravatas de “auto-estima”.

Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173