09 de julho de 2026
Polícia

Polícia apreende 14t de carne roubada

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG/Garra) apreendeu anteontem à noite 14 toneladas de carne bovina em três lojas de um supermercado de Bauru, localizadas na rua Rafael Pereira Martini, 2-66, no Jardim Redentor, na rua Antonio Alves de Souza, 3-05, Parque Santa Edwirges, e na rua Sargento Mendes, 11-08, Núcleo Nova Esperança.

A carga, avaliada em R$ 40 mil, saiu de um frigorífico de Araçatuba no último dia 31, e deveria ser descarregada em 24 pontos da Capital. Entretanto, ela foi desviada de seu destino pelo motorista que fazia o transporte e entregue na última segunda-feira nas lojas de Bauru. Os nomes estão sendo preservados a pedido da polícia, até a conclusão das investigações.

Para desviar o produto, o motorista, que é morador de Promissão e trabalha para uma transportadora com sede em São José do Rio Preto, simulou que teria sido vítima de um assalto, próximo a Cafelândia. O motorista registrou a ocorrência na última terça-feira, por volta das 17h, na delegacia de Paulistânia, município onde ele afirmou ter sido abandonado pelos assaltantes. Em depoimento, o acusado teria afirmado que tanto a carga de carne quanto o veículo, um caminhão Mercedes Benz, placas CLH-0289, de São José do Rio Preto, teriam sido roubados. No mesmo dia e horário em que recebia a comunicação de roubo, a polícia localizou o caminhão, sem carga, próximo ao município de Duartina.

A polícia estranhou a versão apresentada pelo motorista. De acordo com a DIG, ao ser questionado, o motorista acabou confessando, em depoimento, que o roubo teria sido simulado. Ele teria afirmado ainda que o crime teria contado com a participação de três outros homens da cidade de Promissão, que ainda não foram identificados pela polícia. “Nós estamos realizando uma investigação para identificá-los”, diz o titular da DIG, J.J. Cardia.

Durante o depoimento, o motorista informou os locais onde a carga havia sido descarregada. Ele foi trazido anteontem à tarde por uma equipe da DIG de São José do Rio Preto até Bauru para acompanhar a polícia até as lojas.

No mesmo dia à noite, policiais da DIG de Bauru e São José do Rio Preto iniciaram as diligências pelos estabelecimentos e apreenderam as 14 toneladas de carne (entre peças de carne dianteira bovina e costela bovina). O material, que ainda estava embalado e continha o selo de origem, foi avaliado e devolvido ao frigorífico de Araçatuba. A operação em Bauru terminou por volta das 4h de ontem.

De acordo com o delegado J.J. Cardia, o dono do supermercado deve responder por receptação, cuja pena prevista vai de um a quatro anos de reclusão. Já o motorista deve responder por falsa comunicação de crime, cuja pena vai de um a seis meses de reclusão, e apropriação indevida, pena de um a quatro anos de reclusão. Ambos não têm passagens pela polícia e vão responder ao inquérito em liberdade.

Recibo

Segundo Cardia, o proprietário do supermercado assumiu que comprou a mercadoria, mas negou que tinha conhecimento da procedência irregular da carne. À polícia, o empresário apresentou um recibo no valor de R$ 10 mil, que teria sido depositado na conta de uma seguradora.

“Ele diz que comprou (a carne) de uma seguradora. Mas na realidade nós já tínhamos informações, já estávamos trabalhando em cima de (informações) de que ele compraria carne roubada. É um direito dele tentar justificar, mas já está comprovado que é receptação”, diz o delegado.

Em depoimento, o motorista teria afirmado que fez o desvio da carga porque estaria em uma “situação financeira difícil” e receberia cerca de R$ 8 mil com a operação. Ele também teria afirmado que teria sido ameaçado pelos outros três supostos participantes do crime a realizar a ação.

O inquérito por falsa comunicação de crime e apropriação indébita será instaurado pela delegacia de Paulistânia. Já o inquérito por receptação será aberto no 4.º Distrito Policial. A DIG de Bauru encaminhará as investigações. O dono do supermercado não quis conceder entrevista, ontem, à reportagem.

Cardia afirma que a apreensão de anteontem foi a primeira dessa natureza realizada em 2004. Entretanto, o delegado destaca que já houve outros registros semelhantes na cidade em anos anteriores.

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Defesa

De acordo com o advogado Cassiano Teixeira Pombo Gonçalves, que defende o proprietário do supermercado, a carne teria sido comprada de um suposto funcionário de uma seguradora de São Paulo, identificado apenas como Nelson. Ele afirma que seu cliente não teria conhecimento da procedência ilegal do produto.

“Ele (proprietário do supermercado) inclusive pagou a seguradora e depositou cerca de R$ 10 mil”, diz. “Meu cliente foi vítima de um golpe de estelionato”, completa.

Segundo a versão apresentada pelo advogado, na venda do produto, o suposto funcionário da seguradora teria justificado que havia ocorrido um acidente envolvendo o caminhão com a carga de carne, de propriedade de uma empresa transportadora, que teria cobertura do sinistro. Com isso, segundo ele, a seguradora estaria vendendo a mercadoria por um preço mais barato.

“Nesses casos, é comum acontecer isso, o seguro ressarce (a empresa segurada) pelo prejuízo e tenta vender o produto perecível imediatamente”, justifica o advogado.