09 de julho de 2026
Política

Entidades querem plano para saúde

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Os oito candidatos a prefeito em Bauru estão sendo convidados pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), o Conselho Municipal de Saúde e a Associação Paulista de Medicina (APM) a discutir, ainda neste mês, os problemas no setor. As entidades querem ouvir as propostas dos candidatos e buscar a elaboração de um documento de compromisso para a gestão ao longo dos próximos quatro anos.

Segundo o conselheiro do CRM e diretor distrital da APM, Carlos Alberto Monte Gobbo, as entidades querem saber qual política de saúde será implementada. “Vamos ouvir cada um dos candidatos, ver o que pretendem, e debater as diretrizes já tiradas das conferências de saúde e dos segmentos que atuam no setor”, conta.

As entidades estão tentando confirmar o evento para o dia 26 de agosto com as assessorias dos candidatos. O evento está programado para o auditório da APM, na região do Jardim Estoril, na Casa do Médico, com início às 20 horas. Gobbo conta que a organização do evento partiu, sobretudo, da preocupação dos segmentos que atuam no setor com o atual estágio da saúde pública municipal.

“Estamos com problemas crônicos, que não só se repetem mas ficam sem solução. Houve uma regressão bárbara nos serviços a partir do município nos últimos anos. Embora as conferências municipais tenham diagnosticado os problemas, eles continuam sem solução. Queremos saber qual o compromisso dos candidatos com a área de saúde”, avalia.

Entre os pontos ruins do setor, o médico aponta a desestruturação do atendimento básico de saúde. “A população não quer, na verdade, Pronto-Socorro nos bairros, ela quer ser prontamente atendida, o que é diferente. As estatística do PS Central mostram que mais de 60% dos atendimentos não são de urgência, são ambulatoriais. Isso é uma profunda distorção do sistema”, comenta.

Na opinião do representante do CRM e da APM a desestruturação ocorreu porque o município desestruturou a rede básica de saúde nos bairros. “É um contra-senso. Há cerca de 15 anos tínhamos 140 médicos na rede básica. Veja quantos temos hoje”, reclama.

Ele afirma que o Conselho Regional e a Associação Paulista de Medicina, assim como o Conselho Municipal, vêem essa questão com muita preocupação. “O CRM tem críticas a esse modelo. A rede básica estruturada nos bairros vai suprir a maior parte da demanda, que é ambulatorial. E mais que isso, vai permitir o diagnóstico por região, permitindo assim o planejamento de ação do setor e o monitoramento dos casos”, menciona.

Esses e outros temas do segmento serão colocados pelos representantes das entidades aos candidatos. Cada prefeitável terá 10 minutos para expor suas propostas principais. O Conselho Municipal de Saúde também deve apresentar as diretrizes já aprovadas nos últimos anos. Ao final, a organização vai realizar uma pergunta específica a cada um dos candidatos.