Vivemos a Era da Informação. Todos os dias somos bombardeados por uma avalanche de novidades que vão se descortinando aos nossos olhos, mostrando-nos que é necessária a integração com o mundo para que não sejamos excluídos dele.
O mercado de trabalho se mostra cada vez mais exigente. O profissional do século XXI nunca foi tão exigido como agora. Conhecimentos específicos se fazem necessários como ponto diferencial no preenchimento de vagas – anualmente quase meio milhão de profissionais são despejados no mercado de trabalho com diploma universitário. O arrocho da economia mundial se reflete diretamente em nosso país. Nossa “economia de vidro” aponta uma fragilidade que, infelizmente, atinge o cotidiano do mais competente ao incauto trabalhador – para o profissional que acaba de se formar. Muitas vezes, isso significa uma “pseudo-morte-prematura”, um retardo que é fruto-tronco de raízes que não plantamos, mas que o arado do sistema sócio-econômico insiste em cultivar.
Não há uma fórmula para evitar essa triste realidade. Não há um seguro-desemprego antes do primeiro emprego. Sendo assim, qual a solução? Evidentemente está na competência! Não apenas na capacitação, mas no diferencial que o profissional tiver, a começar na consciência de vivermos a Era da Informação, do conhecimento, da multidisciplinaridade. Um profissional do Direito, como exemplo, deve dominar o vernáculo, assim como um bom Médico deve dominar a química. Essa correlação, na verdade, deve ultrapassar o sentido de áreas de afinidade, onde um profissional das exatas pode tirar proveito ao demonstrar conhecimentos no campo das ciências humanas.
Em qualquer exemplo que possamos ilustrar, teremos a necessidade da interdisciplinaridade no profissional do século XXI. Para tal, dois fatores ficam como elos ou pontes para ajudar, unir áreas aparentemente dicotômicas: a Leitura e a Comunicação.
Vivendo esse período conturbado da “informação-velocidade”, as competências de Leitura e Interpretação nunca foram tão importantes à visão consciente da realidade em que vivemos. Sofremos os efeitos de uma sociedade atrelada à mídia, onde a cultura de massa esmaga as individualidades tirando o brilho de nossas estrelas do passado. Os notórios prosadores e poetas do século XIX, por exemplo, auxiliaram na formação de nossa identidade cultural. As telenovelas e a mídia eletrônica tomam nosso tempo, nos afastam de fontes culturais que poderiam ajudar à criação de uma noção de discernimento ao julgamento dos conteúdos mostrados na TV aberta. Não que essa mesma mídia não possa romper com o convencional, dispondo temas importantes, polêmicos e mesmo culturais. Resta, no entanto, a pergunta: por que não? Tal resposta poderia dar um tratado filosófico, mas sempre apontaria a verve capitalista como motivo primeiro daquilo que pode ou não dar Ibope. Nesse sentido temos a grande massa como causa e efeito desse ciclo. A falta de horizontes tem como causa a falta de visão, provocada pela falta de capacidades básicas, como é o caso da Leitura.
O desenvolvimento de habilidades interpretativas não é um dom, mas uma conquista. Partindo do princípio que fazemos “leituras de mundo” a todo instante, não seria difícil transpor essa realidade ao texto – nossa matéria prima de formação em qualquer área. Tal conceito deve ser encarado como uma dádiva, uma nova possibilidade, um novo caminho que se mostra aos nossos olhos, onde o que basta é o comando às pernas. O exercício constante da leitura, além de cimentar conhecimentos, desenvolve nossa capacidade cognitiva de abstração, nosso discernimento, nosso raciocínio e, principalmente, nossa tendência criativa – elemento essencial ao profissional do século XXI.
Os estudos de Literatura se fazem necessários nesse sentido. O desenvolvimento de habilidades técnicas no ato da leitura só são conquistadas através do exercício contínuo. A abordagem social, filosófica, histórica, psicológica, cultural e estética ajuda na compreensão plural e una do texto. Os conteúdos trabalhados em sala de aula servem, portanto, como base de expansão na ampliação de horizontes. Citando os estudos do Barroco como exemplo, o uso exagerado na aplicação de figuras de linguagem na poesia, dá um caráter sinuoso ao texto – efeito direto de uma época histórica marcada pelo conflito ideológico provocado pelos ideais da Contra-Reforma Católica.
Nesse sentido são abordados temas históricos, filosóficos e mesmo literários. A diferença de uma visão consciente ao se encarar os estudos de Literatura, consiste no fato e no ato. No fato da necessidade de se captar a matéria como fruto de um contexto histórico-social. No ato de se aproveitar os elementos que circundam esses estudos visando uma verdadeira formação humanista - matéria rara na sociedade de hoje.
Alexandre Luís de Abreu Veronez - Lelê - professor de Literatura Portuguesa e Brasileira - RG: 20.306.431