25 de maio de 2026
Regional

Na P1, 50% dos detentos estudam

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A penitenciária Dr. Walter Faria Pereira de Queiróz (PI) de Pirajuí (58 quilômetros a noroeste de Bauru) tem uma população carcerária de 1.003. Deste total, 710 trabalham e 426 estudam. Dos estudantes, 50% freqüentam o ensino fundamental.

O diretor Flávio Aparecido Bitencourt explica que a escolaridade dos presos é detectada quando eles chegam ao presídio. “Eles passam pela triagem e já são encaminhados para o estudo. Nós oferecemos o ensino fundamental, de 1.ª a 8.ª série.”

Já para o trabalho, o encaminhamento depende do número de vagas, frisa o diretor. “Na medida do possível, eles são encaminhados para o trabalho. Grande parte deles não têm uma profissão definida.”

A PI oferece várias oportunidades de trabalho. Uma fábrica de pipas emprega 21 presos que passam o dia fazendo o brinquedo. Por mês, chegam a ser confeccionadas 15 mil pipas na temporada, ou seja, na época de vento, entre junho e agosto. Após este período, a produção cai de 8 a 5 mil.

A empresa instalada no presídio, Casa das Pipas de Lins, fornece todo o material. Os presos entram com a mão-de-obra. A confecção do brinquedo começa com o corte e preparação do bambu que sustenta a pipa. Nele é colocado o papel e, por último, vem a rabiola.

São quatro metros de linha com fitilho que é amarrada na pipa, finalizando o brinquedo que será a alegria das crianças.

Para trabalhar com a pipa foram selecionados 21 presos que estavam há mais tempo sem serviço dentro do presídio. “A empresa treinou os rapazes que trabalham na fábrica.”

Maior empregadora

A indústria de carteiras e cadeiras da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), instalada na PI de Pirajuí, é a maior fonte empregadora do presídio. Ela emprega 180 presos e fabrica 16 mil carteiras e 18 mil kits para reformas escolares.

A fábrica é uma verdadeira escola para os presos que chegam sem profissão definida. Eles aprendem a trabalhar e muitos já conseguiram emprego na área de metalurgia e marcenaria após ter cumprido a pena.

Na fábrica de móveis escolares, o setor de metalurgia é encarregado de fazer a sustentação das carteiras e cadeiras escolares. A seção de marcenaria faz o trabalho com a madeira.

A indústria é equipada e fornece móveis escolares para o Estado. Segundo o diretor do presídio, há três estágios na fábrica. “O preso entra como aprendiz com um salário mais baixo. Progride para meio oficial, com salário médio. Depois passa para oficial com salário maior.”

Em segundo lugar no rol das empresas que mais empregam na penitenciária está a fábrica que costura bolas para a Penalty. São 150 presos que costuram e fazem o acabamento de 4.500 bolas ao mês.

As bolas chegam ao presídio cortadas em um kit com todos os materiais necessários para a sua confecção. Uma equipe encera a linha com a qual será costurado cada um dos gomos da bola que vai estar presente nos jogos internacionais. A produção é quase toda exportada para a Espanha.

No presídio são fabricadas as bolas de primeira linha, especialmente para os campeonatos e competições mais importantes do mundo.

Cada preso consegue, em média, fabricar quatro bolas por dia. A costura é feita pelo avesso até um determinado ponto, quando ela é virada e costurada por fora para fechar. Em seu interior vai uma câmara de ar.

Na fábrica, os ensinamentos são passados de um para outro. “Os presos mais experientes ensinam os iniciantes. Eles ganham por produção”, ressalta o diretor.

Doce

A plantação de goiabas do presídio requer o trabalho constante dos presos. Com a colheita, é confeccionado o doce, a goiabada em pedaços. A produção é consumida pela população carcerária e parte é vendida pelos funcionários.

Além do trabalho nas empresas instaladas no presídio, há os presos que fazem o serviço básico: faxina, horta, confecção de uniformes para uso interno, criação de coelhos e pocilga.

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'Estou me mantendo'

O trabalho é, antes de tudo, uma terapia para o preso Marcos Gomes, 27 anos, que faz pipa na PI de Pirajuí. “Tenho 25 anos para cumprir. O tempo não passa aqui dentro e, com o trabalho, a gente se distrai”, diz.

O trabalho proporciona uma renda que o permite manter-se dentro do presídio. “Minha família é do Rio de Janeiro e, pela distância, as visitas são raras.”

Com o salário recebido mensalmente, Gomes adquire material de higiene pessoal e roupas. Tudo através do pecúlio.

De acordo com o diretor da PI, o salário recebido pelo preso vai para a caixa de pecúlio. “O pessoal do pecúlio faz compras para os presos.”