A penitenciária de Marília (100 quilômetros a oeste de Bauru) possui contém um anexo de semi-aberto, ou seja, abriga sentenciados do sistema fechado e semi-aberto. No semi-aberto, 70% deles trabalham e 30% estudam. O serviço mais importante da unidade é o social. Os detentos do semi-aberto já reformaram a Santa Casa, algumas escolas e um educandário voluntariamente, sem obter renda.
A atitude, inesperada, por se tratar de presos, foi aplaudida pela sociedade de Marília e reconhecida pela diretoria do presídio. “A ala infantil da Santa Casa foi reformada pelos detentos, assim como as escolas e o educandário.”
Para os diretores, a postura dos presos voluntários surpreendeu e, de certa forma, provou que a ressocialização é possível.
Outro exemplo resultante do trabalho de ressocialização foi a contratação de um ex-detento em uma fábrica de sofá da cidade. “Ele trabalhou como marceneiro na empresa enquanto cumpria sua pena. Quando saiu, a empresa o contratou. O trabalho dele é tão bom que o empresário foi buscar a família e a mudança dele em outra cidade. Este foi um dos recuperados”, comemora um dos diretores da unidade.
Outros dois presos foram contratados por uma empresa especializada em produtos de limpeza. “Eles já trabalhavam para a empresa antes de terminarem o cumprimento da pena. Quando deixaram o presídio foram contratados.”
Bicicleta
Jovens e idosos oriundos de famílias pobres que se envolveram com a criminalidade e estão recolhidos na penitenciária de Marília, no regime fechado, têm mais uma oportunidade de se livrar da pecha de marginais. Uma empresa que fabrica bicicletas, ergométricas e esteiras para academias de ginástica emprega 30 sentenciados.
Para o preso José Roberto Martins, 56 anos, a oportunidade tem várias vertentes de recuperação. “É uma terapia, uma forma de obter renda e, principalmente, uma chance para aqueles que não têm profissão definida.”
O detento aponta a montagem da bicicleta como uma oportunidade de abrir o seu próprio negócio. “Quando o preso cumpre a pena e sai para a rua tem dificuldade em conseguir um emprego. Aprendendo a lidar com bicicletas, ele pode abrir sua própria oficina de consertos, em qualquer espaço, até no fundo do quintal.”