Das oito unidades prisionais da região (Álvaro de Carvalho, CR Avaré, Penitenciárias 1 e 2 de Avaré, CR de Marília, Penitenciária de Marília e P1 e P2 de Pirajuí, o presídio Luiz Gonzaga Vieira (P2) de Pirajuí (58 quilômetros a noroeste de Bauru) é o que concentra maior número de presos estudando. Dos 1.288 detentos, 772 estão freqüentando a escola interna.
O índice de analfabetismo beira a zero, isso graças a uma associação feita pelos diretores do presídio. “Nós aliamos o estudo ao trabalho. São seis horas de trabalho e duas de estudo. Fizemos assim porque muitos preferem trabalhar, mas a seleção para o trabalho leva em conta o estudo,” explica o diretor José Carlos Pedroso.
De acordo com ele, o encaminhamento para o trabalho é feita através dos dados da triagem. “O primeiro critério é a ordem de chegada, seguido pelo comportamento, experiências de trabalhos anteriores e escolaridade.”
A população carcerária, segundo o diretor, é formada por jovens, em sua maioria na faixa etária entre 20 e 23 anos, com 1.o grau incompleto, das classes sociais D e E da Capital. “São assaltantes de São Paulo”.
O sistema adotado pela penitenciária já apresenta resultados positivos e da região é o presídio com o maior índice de estudantes. Só para se ter uma idéia, dos 1.108 presos da penitenciária II de Avaré, apenas 191 estudam, segundo dados da Secretaria das Administrações Penitenciárias.
O interesse dos presos pelos estudos e pela evolução espiritual salta aos olhos dos visitantes. A biblioteca é um local bem freqüentado. Para atender os presos que estão no seguro, na enfermaria ou na ala de progressão, a diretoria implantou a biblioteca móvel. Dentro de um pequeno carrinho, livros de todos os tipos são levados para essas alas a fim de ajudar os detentos a exercitar a leitura.
O preso Leandro Souza de Lima, 29 anos, leva e traz a biblioteca para as alas que não têm acesso. “Os romances espíritas são os mais requisitados pelos presos.”
Dos 1.288 presos da P2 de Pirajuí, 972 estão empregados nas empresas que terceirizam o trabalho. São três fábricas de bolas; Topper, Umbro e Gramado que empregam 559 detentos e outras, de pequeno porte, que empregam os 413 restantes.
A fábrica de cadeiras de varanda emprega 20, a de artesanato 65, a marcenaria 34, manutenção do presídio consome os demais que ficam encarregados da faxina interna.
Os presos que labutam na área externa são aqueles que já foram beneficiados pelo regime semi-aberto. Eles são responsáveis pela limpeza externa, pela fabricação de piscinas e caixas de correspondência em fibra de vidro, cuidam do açougue, da horta, fazem serviço de pedreiro, alimentam os porcos, reciclam lixo e montam a manta (forro) de bolas.
Na padaria, a produção diária de 3.400 pães é de responsabilidade dos presos. “É para consumo próprio. São pães salgados e doces.”
No açougue, os detentos limpam frangos e cortam as carnes bovinas e suínas para consumo próprio. Já a fabricação de piscina e caixas de correspondências é feita para uma empresa de Presidente Alves.
A indústria de tempero caseiro emprega 12 detentos. Um convênio com a prefeitura da cidade garantiu o emprego para oito detentos. “Eles estão trabalhando para reativar a horta municipal.”
A arte de trançar linhas que se transformam em manta para forro de bola de futebol foi um ensinamento que Milton Alves de Souza, 35 anos, recebeu no presídio. Hoje, ele é um especialista no assunto e trança os fios com a maior habilidade. “São 32 linhas que, depois de trançadas, recebem látex para se tornarem forro de bola de futebol.”
Para ele, o trabalho não é só um passatempo. “Tenho três filhos lá fora e, com o que ganho, consigo me manter aqui dentro. Anteriormente, trabalhei no setor de tempero.”
Formado em publicidade, Carlos Alexandre Bressamin, um preso da P2, conquistou seu espaço profissional no presídio. Ele foi escolhido como monitor do curso de letrista, que já conta com os 30 primeiros alunos.
A combinação de tinta com tecido animou os presos a aprender a profissão. “É uma profissão que não exige grande investimento. O trabalho pode ser feito em um local pequeno, fator que favorece o prosseguimento da profissão, quando o preso se livrar da pena”, segundo o diretor.
A intenção do presídio é montar, após o encerramento do curso, uma pequena fábrica de faixas.