09 de julho de 2026
Regional

Detentos preferem trabalho a estudo pelo salário e pena

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A penitenciária de segurança máxima de Álvaro de Carvalho (85 quilômetros a Noroeste de Bauru) tem uma população carcerária de 1.046 presos. Pessoas que cometeram crimes graves. A maioria chega da Capital com um currículo escolar próximo do analfabetismo, mas o estudo não os atrai tanto quanto o trabalho, que promove uma redução da pena e ainda lhes oferece ganhos.

“Após passarem pela triagem feita no presídio durante a chegada do sentenciado, eles optam por estudar ou trabalhar”, explica o diretor técnico de departamento substituto, Douglas Mauro Inforzato. “Os que trabalham não estudam e eles preferem trabalhar porque ganham por produção.”

Dos mais de 1.000 presos, 718 trabalham e apenas 161 estudam. São seis empresas instaladas no presídio, sendo que a maior fonte empregadora é a fabricação de pastas AZ e ferragens que dão trabalho a 150 sentenciados.

Um projeto de confecção de móveis tubulares está debutando na penitenciária, segundo Inforzato. “É um projeto piloto. Os sentenciados vão trabalhar com a confecção das ferragens dos móveis e não com o acabamento. Atualmente, a oficina emprega quatro. Um mestre de ofício ensina o serviço para os presos.”

A fábrica de material de limpeza é a mais movimentada. Ali são fabricadas vassouras de nylon, rodos de madeira para chão e pia, vassoura de pêlo e pá para lixo. O mais interessante do setor é que o plástico reciclado de tampas de garrafas se transforma em capa para cabo de vassoura e rodo.

O processo é rápido. As tampas de bebidas chegam pelas mãos da empresa empregadora. Uma máquina é responsável por triturá-la e transformá-la em pequenos pontos que, num outro equipamento, se torna líquido e automaticamente encapa os cabos.

Mandioca em palito

Quando a gente compra uma mandioca congelada e cortada em forma de palito não imagina que ela pode ter sido fonte de renda e meio de ressocialização para sentenciados. Mas isto é uma realidade na penitenciária de Álvaro de Carvalho.

A empresa, que teve seu nome preservado, emprega 60 presos que lavam, descascam, cortam e trituram a mandioca que vai fazer parte dos ingredientes de hambúrgueres ou ser comercializada em forma de toletes ou palito.

São cerca de 200 caixas de mandioca que chegam ao presídio por dia. Um setor da fábrica fica responsável por cortá-las, outro por descascá-las e, por fim, um último a transforma em polpa.

Uma empresa de Vera Cruz, que confecciona pastas AZ, emprega 35 presos. Com essa mão-de-obra, fabrica 18 mil pastas por dia, cerca de 300 mil ao mês.

Outros oito presos trabalham na montagem de um microaspersor e produzem cerca de 40 mil ao mês. Há sentenciados que exercem o trabalho de limpeza da limpeza da unidade e no açougue, onde é produzida lingüiça para consumo próprio.