08 de julho de 2026
Bairros

10 mil jovens procuram emprego em Bauru

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Quem não conhece um adolescente que trabalha? A quantidade de jovens trabalhadores é grande, mas deve tornar-se ainda maior. De acordo com pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre educação infantil, dobrou a proporção de pessoas de 10 a 17 anos que estão procurando emprego no Brasil. De 1992 a 2002, o percentual passou de 11,3% para 22,7%.

Não há dados específicos sobre Bauru. Mas a partir de estimativa da Fundação Seade sobre a demografia do município, calcula-se que seriam quase 10 mil adolescentes procurando emprego na cidade.

A pesquisa faz parte de uma série de estudos realizados com base em dados da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São cruzamentos feitos a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

De acordo com a OIT, há uma nova tendência no trabalho infantil. As crianças que procuram emprego são mais velhas, estão predominantemente no Sudeste e moram na área urbana. Elas procuram emprego por necessidade, não encontram e engrossam as estatísticas do desemprego.

Na opinião de Maria Moreno Perrone, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Bauru, a situação é reflexo do desemprego. “Deve-se às necessidades das famílias de baixa renda”, diz.

Em Bauru, o JC nos Bairros constatou que jovens procuram emprego por motivações diferentes. Uns precisam complementar a renda da família, quando os pais não têm condições de sustentar a casa. Outros almejam a independência financeira para comprar roupas, sair com amigos etc.

Infelizmente, muitos deles não conseguem emprego com registro em carteira e acabam aceitando o trabalho informal. O agravante é que grande parte dos adolescentes carentes de Bauru não conhece programas de encaminhamento para o trabalho, como o Programa Educação Profissional para o Primeiro Emprego e o Centro de Pesquisa e Encaminhamento para o Mercado de Trabalho (Cepet).

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Em busca de oportunidade

Ana Cláudia Lacerda, 16 anos, moradora do Jardim Ouro Verde, engrossa o montante de jovens bauruenses que querem trabalhar. Ela afirma que quer ajudar o pai, que é pedreiro, e a mãe, que trabalha como diarista. “Em primeiro lugar, eu ajudaria meus pais. Depois, eu guardaria um pouco na poupança para fazer um curso”, frisa.

A adolescente já trabalhou durante um ano como recepcionista. Entretanto, não tem comprovação de experiência em carteira de trabalho. “Agora, estou aceitando qualquer serviço. Mas, depois, eu quero fazer uma faculdade e ser dentista”, revela.

Ana salienta que pensa no futuro e não pretende abandonar os estudos. “Meus pais falam para eu estudar e não perder as oportunidades para que eu não passe o que eles estão passando agora”, conta.

Décio Moraes de Camargo, 17 anos, é mais um morador do Jardim Ouro Verde está tentando uma vaga no mercado de trabalho. Ele está cursando a 1.ª série do ensino médio e fazendo um curso de informática numa entidade que prepara e encaminha adolescentes para o mercado de trabalho.

“Quero trabalhar para ajudar a minha família e para eu não ficar dependendo da minha mãe para comprar roupas ou sair. Depois, eu quero fazer uma faculdade e me especializar em informática”, enfatiza.

Aos 18 anos, Fabrício Feltri Ribeiro afirma que tomou a iniciativa de procurar emprego sem pressão da família. Ele está fazendo um curso técnico e sonha em trabalhar numa “grande indústria”. “Depois, pretendo fazer uma faculdade”, completa.

Estudante do ensino médio e moradora da Vila Dutra, Vanessa Pedroso Ferreira Lima, 17 anos, tem objetivos semelhantes. “Eu quero começar a trabalhar logo”, diz.

A mãe de Vanessa, doméstica, e o pai, operário, a incentivam a buscar uma fonte de renda.

“Meu pai acha que eu tenho que ajudar a família porque estamos precisando. Eu tenho seis irmãos menores que não trabalham”, conta.

A psicóloga Luciana Biem faz um alerta aos familiares e adolescentes que procuram uma vaga ou já estão no mercado de trabalho: existem aspectos positivos e negativos do emprego nesse período de transição.