Na semana passada deparei-me com um “capanga urbano”, prestador de serviço de um candidato a vereador, disputando com um cachorro enciumado o poste público, provavelmente situado na zona de domínio do cão. Eu comecei a rir da situação esdrúxula e meu neto perguntou: mas vovó, pra que serve o poste? E por falar em cachorro, li sobre a volta da “carrocinha”. Também lembrei de um clássico em que “Mazzaroppi” procura esconder os cães que o prefeito do “Patrimônio” manda matar por qualquer motivo, para disfarçar a verdade. Antes das eleições, ninguém dava muita importância para os milhares de cães na rua e dos postes existentes na cidade, para a alegria dos mesmos, de um modo geral. Agora, já tem muita gente brigando por espaço para colocar os seus cartazes e bandeirolas, com as mensagens políticas. Alguém poderia responder ao meu netinho: pra quê serve o poste? Quantos postes existem na cidade de Bauru? Quanto custa cada bandeira daquela? Será que o salário dos quatro anos dará pra pagar a despesa? Da bandeirinha, do vigia do poste, do arame pra amarrar, etc. Será que alguém vota no poste? Ou melhor, no candidato do poste? E o cachorro? Não consigo esquecer.
A disputa é tão acirrada que já inventaram uma nova profissão, que é a de vigia de poste. Não será novidade qualquer dia desses ler no Jornal da Cidade o edital pra eleição da Associação dos Vigias de Poste. Problema sério! Não consigo esquecer o cara que não deixara o cachorro usar o poste, como é normal um cão fazer diariamente. Apesar da brincadeira, a questão é mais séria do que parece, porque muitos desses “vigias”, quer dizer, cabos “capangas urbanos” eleitorais, são mestres para intimidar os profissionais dos candidatos adversários ou qualquer cidadã que questione esta prática de “enfeiar a cidade”. Lembre-se: ameaça é crime. Ninguém tem o direito de ameaçar uma pessoa por suas escolhas. Porque um outro jeito de fazer propaganda política é possível...
Rosa Maria Morceli - Instituto Terra Viva - RG: 6.365049 SSP-SP