08 de julho de 2026
Articulistas

Psiu!


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Não pretendo entrar na polêmica sobre qual entidade representa o pensamento da maioria dos jornalistas - se a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) ou se a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) -, muito embora, em relação ao projeto que propõe a criação de um tal de Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), concorde com a posição da segunda. Se mais não fosse, não tenho - e nunca tive - nenhuma dúvida sobre o caráter autoritário do PT, cujo apreço pela liberdade de pensamento e ação é inquestionável, desde que a ação, o pensamento e as denúncias lhe favoreçam.

O objetivo do governo é cristalino. Para “proteger o jornalista e a sociedade” - as palavras são do ministro Luiz Gushiken, de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica - deve-se criar o tal do conselho, que, entre outras tantas, terá a função de “orientar, disciplinar e fiscalizar” o exercício da profissão, podendo inclusive punir os jornalistas com a cassação de seu registro profissional. Deduz-se, portanto, que, para o governo Lula, a legislação em vigor é insuficiente para assegurar a prática do “bom” jornalismo. No tempo em que eram estilingues, Lula & cia pensavam de forma diversa. As leis continuam as mesmas. Eles é que mudaram de lado.

A preocupação do ministro Gushiken com o bem-estar da sociedade é comovente. Como se recorda, no ano passado, foi ele quem sugeriu que as empresas estatais patrocinassem obras que trouxessem mensagens positivas. À época, suspeitou-se que Sua Excelência veria com bons olhos a realização de filmes sobre a fome e o Fome Zero, evidentemente. Nada poderia ser tão edificante, na sua avaliação, exceto, talvez, uma película sobre um retirante que virou presidente e que está disposto a erradicar a miséria do mundo, na base do gogó.

Não há de ser por acaso que o projeto do Executivo tenha sido enviado justamente agora – quando próceres do governo são alvo de denúncias cabeludas – ao Congresso Nacional. Para o PT, não basta aparelhar o Estado. Faz parte de sua cartilha a tentativa de aparelhar corações e mentes. E de intimidar quem ousa pensar. Os promotores públicos agora também sabem disso. Quem leu a “Revolução dos Bichos” também.

O autor, Walter Feldman, é médico, deputado federal por São Paulo e vice-líder do PSDB na Câmara dos Deputados.