Senhores, comercializem honestamente, sem sacrificarem os direitos dos vizinhos e dos transeuntes.
Fundamentando-se no desleixo dos responsáveis pelo bem-estar dos moradores, que a cada dia se vêem privados de usufruírem o direito de caminhar pelas calçadas, vergonhosamente surripiadas pelos botequineiros, para nelas acomodarem seus alcoolizados fregueses que, diuturnamente, perturbam não só os transeuntes, mas também toda a vizinhança, através das suas grosseirices e dos seus estacionados carros que emitem, em altos sons, indesejadas músicas invadidoras dos domicílios (por mais bem fechados que os mesmos estejam) dos honrados trabalhadores que a cada dia, cada vez mais, vão perdendo as condições de ouvirem suas músicas prediletas; de dialogarem em família e de conciliarem o sono.
Face a esse total desleixo por parte das autoridades, os senhorios julgaram-se no direito de transferir para as calçadas as rampas que, por lei e por direito, deveriam estar no interior das suas propriedades e não obstruindo a passagem dos transeuntes.
Ninguém ignora que o Conselho Internacional da Saúde preceitua que o declive, a ser aplicado no sentido da largura da calçada, não ultrapasse o limite de 3%.
Há por aí, e não são poucas, calçadas cujos declives são superiores a 30%, obrigando os transeuntes a saírem das calçadas, a contornarem os veículos próximos delas estacionados, para transitarem pelo centro da rua, por entre veículos em movimento, isto para não terem de andar inclinados a mais de 45 graus, posição esta que, fatalmente, os levam às cambalhotas, quebrando tudo o que transportam. Muitos já saíram feridos e, a exemplo dos cachorros, tiveram de andar de 4 pés até encontrar uma calçada exemplar, livre e desimpedida, como todas deveriam ser e como ainda são aquelas dos cidadãos honestos que não fingem ignorar que seus direitos terminam onde o dos seus vizinhos iniciam.
Agradecemos imensamente por publicarem a presente.
Maximiano Rodrigues - RG 18.873.492