09 de julho de 2026
Polícia

Responsável por atropelar casal se apresenta à polícia

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Treze dias após o atropelamento de um casal no Jardim Chapadão e que resultou na morte do impressor Paulo Sérgio Martimiano, 31 anos, ontem à tarde o serviços gerais Renato Vieira, 23 anos, apresentou-se à Polícia Civil e confessou ser o motorista que dirigia o carro envolvido no acidente. Ele alegou que deixou o local sem socorrer as vítimas porque ficou com medo de ser agredido por moradores da rua.

Em depoimento no 2.º Distrito Policial, Vieira, que mora no Chapadão, disse que estava transitando pela quadra 7 da rua Constantino Castilho quando avistou dois vultos à sua frente, de forma inesperada, e não pôde evitar o atropelamento. “Ele afirma que fugiu sem prestar socorro porque viu vizinhos acendendo luzes das residências e ouviu ameaças contra ele e ficou assustado”, conta o delegado Antônio Carlos Piccino, titular do DP.

Gravemente ferido, Martimiano foi socorrido pelo condutor de um outro veículo, foi internado e morreu no dia seguinte. Sua esposa, Maria Inês Martimiano Silva, 29 anos, apesar de ter perdido a consciência na hora do acidente, ficou levemente ferida. Quando o casal foi socorrido, ela não soube dar detalhes do veículo que os atropelou.

Um cunhado de Martimiano, que é portador de deficiência mental, acompanhava o casal, viu o acidente, mas não conseguiu descrever o carro. Vieira afirmou que estava em velocidade compatível para a via e com o farol aceso. Ele contou ao delegado que após o atropelamento escondeu o carro, o Monza placas 3675, de Bauru, que ele havia tomado emprestado de um amigo, na casa de um parente.

Vieira relatou que no dia seguinte lavou o carro e foi a uma loja de vidros da cidade, onde comprou um pára-brisa para substituir o que havia quebrado no acidente. Na loja, ele alegou que seu carro estava com o motor fundido e assim conseguiu que um funcionário fosse até a casa para trocar o pára-brisa e uma lanterna, que também havia quebrado.

Procurada pelo JC, Maria Inês disse que lembra-se pouco do atropelamento, mas acha que o carro estava com o farol apagado. “Eu e o Paulo estávamos andando ao lado da guia quando surgiu um carro não se sabe de onde e não vi mais nada”, diz. Ela afirma que não havia mais ninguém na rua e que, portanto, a alegação de Vieira, de que ficou com medo de ser agredido, não tem fundamento.

Vieira, que preferiu não falar com o JC, vai responder inquérito por homicídio culposo (sem a intenção) pela morte do rapaz e lesão corporal culposa (pelos ferimentos causados na mulher). De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, o homicídio culposo prevê pena de dois a quatro anos de detenção, que pode ser aumentada de até um terço à metade se deixar de prestar socorro. Já lesão corporal prevê detenção de seis meses a dois anos.

O delegado diz que, como Vieira não tem antecedentes criminais e apresentou-se à polícia, irá responder inquérito em liberdade. “Vamos ouvir as demais partes, a mulher da vítima, e aguardar a perícia do veículo e do local do acidente, feito na ocasião, e checar todas essas informações”, diz.

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Identificação

À Polícia Civil, Renato Vieira disse que resolveu apresentar-se depois de conversar com o advogado da empresa em que trabalha sobre o atropelamento. Já o tenente Milton César Maciel de Moraes, comandante da Base Leste da Polícia Militar, conta que, com base em informações anônimas, policiais militares chegaram a Vieira ontem e o orientaram a apresentar-se à Polícia Civil.

Desde o dia do atropelamento, os policiais da Base Leste estavam empenhados em identificar o veículo envolvido no caso, explica o tenente Maciel. “Nós verificamos vários carros que poderiam ser o Monza do atropelamento, mas nada de suspeita foi achado. Hoje (ontem), com base em denúncias, contatamos o rapaz e ele não negou”, diz.