Apesar de ser favorável aos transgênicos, não pude deixar de ficar horrorizado com a revelação que milhões de pessoas no mundo consomem produtos transgênicos há anos, não apenas soja mas também mamão, melão e batata. Meu Deus! Sim, apelo a Deus, já que as autoridades, os agricultores e os cientistas não tiveram nenhuma Ética em nos revelar o que consumimos. Talvez caiba à Igreja clamar pela ética no assunto.
Uma pesquisa feita entre os britânicos, durante seis semanas, envolvendo 37 mil pessoas, concluiu que, quanto mais informações elas têm sobre os alimentos transgênicos mais eles são contra. Isso deve valer para o resto da Europa.
Em maio último, a Monsanto suspendeu seu projeto de trigo transgênico, mesmo tendo gasto alguns milhões na pesquisa durante os últimos seis anos. A Monsanto avaliou que esta tecnologia representa vantagens para apenas um segmento dos produtores de trigo e o Japão, o principal comprador de produtos agrícolas americanos, já havia anunciado a intenção de não comprar trigo geneticamente modificado.
Não vamos esquecer a vaca louca e os ganhos representados pela ração feita com carcaça. Muitos estudos atestaram a segurança e viabilidade econômica disso. Só para lembrar, nos Estados Unidos, quem esteve na Europa naquele período está proibido de doar sangue.
Com isso já podemos especular se é interessante para o Brasil “manchar” o gigantesco celeiro nacional ou então se devemos ser o principal fornecedor para aqueles que não querem transgênicos. A própria Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) posicionou-se favorável aos alimentos transgênicos, pois podem beneficiar os pobres. Mas esses ganhos não estão garantidos. Para a FAO, nem o setor privado nem o público têm investido o suficiente em culturas básicas como mandioca, sorgo, arroz, trigo e batata.
A FAO observa que apenas seis países (África do Sul, Argentina, Brasil, Canadá, China e Estados Unidos), quatro culturas (milho, soja, canola e algodão) e duas características (resistência a insetos e a herbicidas) correspondem a 99% da área plantada com transgênico. Por enquanto é uma tecnologia que beneficia as grandes corporações. Milhões de dólares em jogo, né defensores?
A FAO não deixa de alertar que o uso dos transgênicos deve ser avaliado caso a caso. E ainda deixa claro que a falta de evidências sobre efeitos negativos não significa que sejam isentos de risco. Os cientistas concordam que não se sabe o suficiente sobre os efeitos em longo prazo.
Entre as grandes preocupações envolvendo a segurança alimentar dos transgênicos, segundo a FAO, estão o risco de provocar alergias, a presença de substâncias tóxicas e uma possível transferência de genes para o organismo humano (cruz credo! Deus me livre!). Estudem mais um pouquinho!
O autor, Mário Eugênio Saturno, é tecnologista sênior do Inpe e professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva.