Anestesiados pela república de 126 anos que as governa, as atuais gerações brasileiras só têm conhecimento da monarquia, que até então comandava o País, através dos poucos livros de história que superficialmente a registram e abordam em reduzidas linhas. Por isso, devem considerá-la regime de “um passado que não volta mais”. E até nem concebem tenha ela mais que um pequeno grupo de adeptos, saudosistas no entender de muitos...
Mas o tema não é bem assim, não tem o âmbito restrito que se lhe tenta atribuir, pois, ao que se sabe por algumas fontes, os fãs do monarquismo formam ainda hoje uma boa legião no País e são em número cada vez maior. Mais ainda: ao contrário do que se possa conjecturar, eles estão em efervescência, reunindo-se em entidades existentes em alguns - ainda que poucos - centros demográficos da Nação, caso, possivelmente, do Movimento Monárquico Constitucional, sediado em São Paulo, e do Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos, localizado em Porto Alegre.
Perseveram os seus admiradores não manter-se em “berço esplêndido”, nem esperando que o espírito de Pedro II opere milagre e faça a monarquia parlamentar despencar novamente nestas plagas, que se habituaram tanto com o regime republicano que já não abrem mãos para nenhum outro, por mais privilégios que desenhem no cenário político-administrativo, haja vista que, quando da discussão do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, pressentindo alguma ameaça, mobilizaram-se contra a mudança.
Nem por isso os monarquistas se fecharam e até abriram revide, concitando a nação: “Brasileiros! Nosso País já foi melhor, mais respeitado, mais considerado! Nossas famílias tinham mais pão, mais futuro. Nossa juventude mais oportunidade de realização! Trabalho não é favor. Salário não é esmola. Honra é direito de todos. Temos de exigir um sistema de governo onde retornem a responsabilidade e o respeito ao cidadão e à família. Temos de proporcionar um futuro melhor a nossos filhos e aos filhos dos nossos filhos. Temos de trabalhar por um Brasil melhor. Temos de participar da riqueza que produzimos, que só conseguiremos com o regime monárquico”.
Haveria, contudo, remédio que debele os males do País se os atuais mandatários nacionais e seus assessores não só marginalizam a escolaridade política como até fogem dela?
O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC.
“Bendize aquele que aparece em teu caminho e a teu destino se associa. Se não podes dar-lhe nem pão, nem mel, nem vinho, podes, ao menos, dar-lhe a tua companhia”.