08 de julho de 2026
Articulistas

Crescer não é ofensa


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Na medida em que vão se confirmando os números do bom desempenho da economia pelo terceiro trimestre consecutivo, a oposição aumenta o esforço para tentar convencer-nos que se trata apenas de uma “bolha” de crescimento que logo se desmanchará no ar... Há um forte componente de inveja particularmente na oposição tucana que não consegue esconder a frustração pelo fato que o governo Lula não implodiu, como acreditavam que implodiria em curtíssimo prazo. Ainda por cima, o setor produtivo voltou a trabalhar com uma disposição que não se via há oito ou dez anos. Não há dúvida que a oposição tem uma tarefa inglória pela frente.

O crescimento da economia brasileira não tem nada de volátil. Ele está novamente ancorado corretamente na expansão das exportações, na vigorosa atividade do agronegócio e no mais recente revigoramento da produção industrial. Há uma evidente mudança no ânimo dos empresários do comércio, da indústria e da agricultura, que têm hoje muito mais motivos para confiar no governo Lula do que em seu antecessor.

Neste ano e meio, é inegável que sua política priorizou, na medida do possível, os setores produtivos. Garantiu ao setor exportador uma política cambial razoavelmente estável e expandiu o crédito aos investimentos direcionados para o comércio exterior; da mesma forma agiu em relação ao agronegócio, aumentando os volumes de crédito para plantio das lavouras, comercialização e investimentos. Poderia ter liberado mais recursos para expandir as atividades do Moderfrota, que é um programa de inegável sucesso. Da maior importância é o fato que o Banco do Brasil voltou a ter presença ágil e marcante no crédito rural e no financiamento do comércio exterior, reencontrando a sua vocação de agente propulsor do desenvolvimento brasileiro.

As pequenas mudanças na orientação da política tributária, com redução dos impostos de produtos da cesta básica, o alongamento do prazo de recolhimento do IPI, a desoneração dos investimentos em bens de capital e o estímulo ao mercado de capitais, mostram que o Brasil recomeçou a andar no rumo certo do desenvolvimento e da criação de empregos. São esses fatos que angustiam a oposição invejosa, que deseja que tudo dê errado. Na falta de idéia melhor vem espalhando uma “nova onda”, segundo a qual a capacidade de crescimento do Brasil vai acabar muito depressa, por causa da alta dos juros americanos e do aumento do preço do petróleo.

Ora, a alta dos juros americanos está sendo feita em pequenas doses, devagar; o preço do petróleo também não deve nos assustar, porque hoje dependemos quase nada do produto importado. Então, esse susto não pega... O que acontece é que para quem não conseguiu fazer o Brasil crescer mais do que 1,3 % em média, durante oito anos, o crescimento atual de 4% do PIB é mais do que “milagre”, chega a ser uma ofensa!

O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PP-SP e professor emérito da USP.